Quando me candidatei à reeleição na presidência, em outubro de 1976, a situação da Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre era positiva em todos os aspectos. Depois de um difícil começo, visto que a entidade não tinha recursos, que foram sendo captados ao longo de meses graças às quotas-partes assumidas pelos associados, dois anos depois o quadro tinha mudado bastante. E o prestígio da entidade e do Coojornal só crescia, atraindo a atenção de profissionais de outros estados que nos procuravam para receber lições sobre como criar uma entidade do gênero.
A prestação de contas, datada de agosto de 1976, registrava que naquele momento a cooperativa estava editando 15 publicações, além do seu Coojornal. Entre elas estavam a revista Agricultura & Cooperativismo, para a Fecotrigo; o Jornal do Grêmio, para o clube; um boletim e uma revista para o Instituto Brasileiro de Planejamento; o Boletim Mercados, para a ADVB; e o Jornal Amrigs, para a associação médica gaúcha.
O relatório era otimista: “A nova diretoria que hoje vamos eleger encontra uma sociedade estruturada, com funções definidas e responsabilidades dobradas. O resultado desta política de prudência pode ser bem avaliado nestes números: hoje a Coojornal tem 280 associados, dos quais 27 trabalham diariamente nela e outros 50 prestam serviços eventuais. Seu capital subscrito chega a 850 mil cruzeiros, o setor de publicações para terceiros está em pleno processo de expansão, solidifica-se a execução de projetos próprios como o Coojornal, e o setor industrial, apto a prestar todos os serviços de que carecíamos, está em fase final de instalação”.
Em seguida, a prestação de contas registrava que do ponto de vista empresarial a situação era bastante animadora em relação ao observado apenas um ano antes. O déficit de Cr$ 19 mil fora vencido e o novo balanço apresentava uma sobra líquida (o lucro, na nomenclatura cooperativista) de Cr$ 198 mil. O patrimônio líquido, formado pelo capital social integralizado mais as reservas e as sobras, era de Cr$ 440 mil. “No final de tudo”, anota o relatório, “os técnicos do setor elogiaram bastante o desempenho da cooperativa nestes 360 dias, pois apresentou um índice de liquidez de 1,29 (isto é, para cada cruzeiro de dívida a cooperativa tem um cruzeiro e vinte e nove centavos para pagar).”
Aquela assembleia geral foi muito positiva também graças à participação de 87 associados – cerca de um terço do total, o que é ótimo, considerando-se que uns 50 cooperativados residiam em outros municípios e estados. Dela saiu o comprometimento com um plano de atividades que envolvia, entre outras ações: a) criar um Conselho de Desenvolvimento Cooperativo, encarregado de desenvolver uma consciência em cada associado sobre sua posição de proprietário, com uma visão ampla que lhe permita capacitar-se a fazer e administrar; b) colocou como uma de suas metas principais o estudo para estabelecer uma remuneração de pessoal aos níveis dos salários do mercado de Porto Alegre; e c) ampliar o Departamento Industrial, que na época contava com equipamento de fotolitagem e fotocomposição.
As intenções eram ótimas, o entusiasmo contagiava, o futuro prometia ser vencedor. E atrás dele seguimos nós.
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Em coluna anterior registrei a diretoria que foi eleita naquela assembleia. Faltou nominar os bravos e bravas que formaram a primeira diretoria, enfrentando um futuro incerto mas conscientes de que estavam fazendo uma aposta concreta. Lado a lado, lá estavam, na diretoria executiva, Luiz Cláudio Cunha, vice-presidente, e Rejane Baeta, secretária. Como conselheiros de Administração atuaram Carlos Henrique Bastos, Danilo Ucha e Jorge Olavo de Carvalho Leite, titulares, e José Félix Valente, Victor Hugo Sperb e Sérgio Caparelli como suplentes. No Conselho Fiscal formaram Antônio Britto Filho, Luiz Francisco Terra Júnior e Érico Valduga, titulares, junto com os suplentes João Borges de Souza, Tomás Pereira e Carlos Karnas.


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