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Davos: uma panorâmica

O Fórum Econômico Mundial de Davos, que encerrou-se no último dia 30 de janeiro, trouxe um otimismo cauteloso. O consenso foi o de que …

O Fórum Econômico Mundial de Davos, que encerrou-se no último dia 30 de janeiro, trouxe um otimismo cauteloso. O consenso foi o de que os riscos permaneçam. Num painel que reuniu representantes dos países ricos e as duas emergentes mais dinâmicas, Índia e China, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, alertou para a criação de “bolhas”.

“Bolhas” são quando se observa um mercado muito lucrativo, onde as pessoas ganham dinheiro de forma rápida. Cada vez mais investidores entram, até que a “bolha” estoure: a oferta torna-se maior que a demanda. Ninguém citou, mas na cabeça de todos estava a China. Mas Yan Yioding, representante chinês, não está preocupado com a China a curto prazo: “A posição fiscal do país é realmente boa”, declarou, numa referência à dívida líquida em relação ao PIB, que é negativa. Depois de 30 anos apostando nas exportações, Yioding disse que o objetivo é crescer no mercado interno, com o auxílio dos emergentes do G20.

Passando da China para o Ocidente, Wolfgang Schaeuble, ministro das Finanças da Alemanha, disse: “Não tememos bolhas. Não estamos esperando nenhum outro choque. O euro caminha para a estabilidade”. Há seis meses a Alemanha estava sendo acusada de estar contribuindo para “destruir” as economias da zona do euro, quando decidiu reduzir seu déficit. Este ano, o país vai crescer 2,3% a mais do que a França.

O crescimento está sendo retomado, mas mais devagar do que 2010, acrescentou Chirstine Lagarde, ministra de Economia e Finanças da França, prevendo crescer entre 1,6% e 1,7% na zona do euro.

George Osborne, ministro das Finanças do Reino Unido, com um déficit fiscal acima de 10%, anunciou que vai reduzir este déficit e promover reforma estrutural em diversos setores da economia, como previdência e educação. Foi assim Davos: os ricos e poderosos mantiveram o otimismo, a cautela, e promessas. China não deixou de ser estrela, mas uma panorâmica de Davos indica que 2011 vai ser melhor para a economia do que 2010.

África, o Ocidente percebeu tarde demais

Os números já conhecidos, os únicos disponíveis pelo FMI, falam de relações que cresceram nos últimos – em média, incríveis 30%.  E ultrapassaram a US$ 200 bilhões em 2010. Trata-se da investida chinesa na África.

Vale ficar de olho nestes interesses dos chineses. Ninguém mais se surpreende com o apetite deles por matérias-primas, como petróleo, gás, madeira, produtos agrícolas e minérios, para produzir intensamente, entre outros bens, aparelhos eletrônicos.

Os chineses estão sempre dispostos a ganhar mais dinheiro. Como ficarão os fornecedores brasileiros?

Os chineses trabalham. Construíram motos que percorrem o continente. Construíram represas, oleodutos e redes de fibra ótica. Quando o Ocidente percebeu, era tarde demais. Os africanos preferiram a humildade chinesa em fazer negócios ao paternalismo ocidental e todos os valores que este carrega.

Os africanos se sentiram à vontade com a postura chinesa. Sem falar nenhum idioma local, a China faz negócios com a cor do dinheiro. E a África aplaude esta nova concorrência, que combate os tradicionais monopólios das colônias.

A maioria dos países onde há presença chinesa teve índices de crescimento superiores a 4%, mas a pobreza continua. O modelo de crescimento chinês casou com muitos governantes, que não viram seus cargos ameaçados pela democracia. O ex-presidente da Nigéria Olesegun Obasarjo, por exemplo, prepara seu país para uma nova ordem mundial. “Gostaríamos que a China dirigisse o mundo, e quando isto ocorrer, queremos estar logo atrás dela”, ele afirmou. Então, vamos repetir: vamos ficar de olho nestes interesses dos chineses.

Autor

Iara rech

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