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Duplo mergulho

Coloque esta expressão na sua agenda para 2011, como os mais renomados economistas mundiais. Sem querer ser uma Cassandra, as notícias de uma nova …

Coloque esta expressão na sua agenda para 2011, como os mais renomados economistas mundiais. Sem querer ser uma Cassandra, as notícias de uma nova depressão são constantes. Existe a depressão em U (uma queda após recuperação), em V (idêntica a anterior, porém mais linear), em L (desce e mantém-se estática) e a famigerada duple dip, o duplo mergulho, um V torto, um emaranhado.

Há poucos meses falava-se em saídas para a crise. Discutia-se se ela seria em U ou, segundo os mais otimistas, em V. Hoje ninguém mais fala nisto. Fala-se em uma saída em L, ou seja, de que não há saída. Pior, fala-se do “doublé dip”, o segundo mergulho que se segue a um breve aumento do crescimento. A ponta da letra está em nível inferior.

Esta é a síntese de Stephen Roach, professor em Princeton. Continua assim: “A superprodução e a supercapacidade na economia real americana levam a uma brutal esterilização dos capitais”.

Robert Schiler, de acadêmico de Yale, compartilha estas apreensões. Que fatores o levam a preocupar-se com uma recessão de duplo mergulho? “No momento a economia parece melhorar, mas pode não melhorar rápido o suficiente, o que vai frustrar as pessoas, provocando queda das vendas e nos preços imobiliários. A confiança não está firme. Estamos vendo raiva e desencanto”.

Paul Kugman, “l’enfant terrible” da constelação dos economistas americanos, Nobel 68, afirma que estamos no primeiro estágio de uma terceira depressão. Ele faz uma distinção entre “recessão” (menor intensidade) e “depressão” (grave):”Esta terceira será resultado de um fracasso nas políticas econômicas. Parecia que havíamos aprendido com a História. Diferentemente de seus predecessores para enfrentar a crise financeira,que aumentaram a taxa de juros, os líderes atuais da Reserva Federal e do Banco Central Europeu cortaram radicalmente os juros e voltaram para o mercado de crédito.”

Historiadores do futuro dirão que estava certo. Quem pagará o preço deste conservadorismo, no dizer de Krugman? Dez milhões de desempregados, muitos sem trabalhar o resto de suas vidas.

Autor

Iara rech

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