Em 1554, Nicolas Durand de Villegagnon tentou, com seus protestantes – fugitivos da católica Madame Maintenon, favorita do rei francês Luís XIV – estabelecer uma colônia francesa no Brasil, um refúgio. Os portugueses impediram. Os séculos passaram, e, durante o “Milagre Brasileiro”, os franceses estabeleceram aqui empresas como Danone e Rhodia. Mas agora, trinta anos depois, a França modernizada quer voltar. Encontra o país já sem os receios fundamentados de hiperinflação e processos de eleições conturbadas. E, ao contrário de Villegagnon, estão sendo recebidos de braços abertos. No final do ano passado já compraram a GVT.
“Até 2001-2002 o Brasil sofria uma crise econômica e financeira a cada três ou quatro anos. Na última década o país mudou de forma radical, e estamos diante de uma transformação extremamente espetacular”, assegura Bruno Vanier, diretor de gestão do Rothschild Assez Management.
De forma dispersa, o Brasil é considerado atualmente um mercado com futuro para grupos tão diferentes como Vivendi, usinas de açúcar, seguros e teles. “Uma espécie de refúgio que foi negado a Villegagnon”, dizem, “no qual não existem problemas que existem lá fora”.
O que eles querem?
Mesmo após o fim de ano na França, as empresas francesas mantiveram o ritmo na procura por investimentos no país. Só no primeiro trimestre, 93 companhias buscaram a Câmara de Comércio dos dois países, que reúne empresas, com faturamento de US$ 25 bilhões.
Segundo levantamento da Câmara França-Brasil, é grande o interesse no segmento de novas tecnologias da informação e comunicação, com 24% das consultas. Logo em seguida estão os setores de bens de consumo e agronegócios. A Câmara de Comércio começou a realizar o levantamento no primeiro semestre do ano passado, quando 200 empresas procuraram informações sobre o Brasil. Outros setores como bens industriais saúde e serviços também foram procurados.
Um ruído nos negócios
O jornal Le Monde afirmou que na compra dos caças Rafale franceses “o Brasil brinca com os nervos da França.” O Brasil pretende divulgar o resultado da licitação somente após as eleições.

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