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Quando a insegurança predomina, a segurança é a prioridade!

Hoje 80% dos gaúchos consideram a segurança como a prioridade, índice que se mantém em Porto Alegre e nas cidades da região metropolitana. Das …

Hoje 80% dos gaúchos consideram a segurança como a prioridade, índice que se mantém em Porto Alegre e nas cidades da região metropolitana.

Das menores as maiores cidades, a segurança é o novo dilema da sociedade. Os gaúchos continuam reclamando dos problemas tradicionais como saúde, infraestrutura e educação, mas a segurança passou a ocupar o ranking dos medos e receios de forma permanente.

A cada novo noticiário de violência, a cada nova tragédia, o medo e o receio da sociedade potencializam o tema, gerando problemas de ordem psicológica, de saúde pública e outras tantas mazelas. Por associação as tragédias cotidianas que não escolhem local, o temor se estabelece quando se para em uma sinaleira, quando se busca um filho na escola ou até mesmo no estacionamento de um supermercado.

Para a população é como se os seus direitos básicos estivessem sendo limitados, como: a) direito a vida, b) direito de ir e vir e c) direito a propriedade.

Quanto maior é a aculturação desta sensação de insegurança, maior será a mudança comportamental a ser observada na sociedade. Essa mudança pode ser percebida, antropologicamente, em várias situações:

Auto toque de recolher: as pessoas passam limitar os horários de circulação, especialmente à noite. Os pais motivam os filhos a navegar na internet ou trazer a namorada para dormir em sua casa, diminuindo os riscos de exposição dos filhos a situações perigosas.

Limitação de um perímetro: quanto maior é o conhecimento do ambiente, maior é a sensação de segurança da população, logo, as pessoas procuram circular nas ruas e bairros que possuem familiaridade, tentando manter a sensação de segurança a partir da relação com o ambiente.

Diminuição dos adornos: Com a sensação de insegurança ampliada as pessoas com receio passam a evitar a exposição de joias, relógios, roupas de marcas e aparelhos eletrônicos quando transitam nas ruas.

Segurando o inseguro: Como o direito à propriedade está sendo questionado, quando um assaltante com uma arma impõe a regra da “perda” consentida, a alternativa de manutenção da propriedade privada passa a ser a realização de seguros. Antes de pensar em comprar um carro, o cidadão pensa no seguro do carro.

Diante da omissão do Estado, a população passa a desenvolver novas práticas de sobrevivência, buscando alternativas para driblar os riscos da “selva de pedra” dos centros urbanos. Cada um destes comportamentos influenciam o ordenamento da sociedade, causando mazelas que perpassam as relações sociais que se estabelecem em casa, na rua e na escola. Quanto maior o medo, maior é o individualismo e menor será o sentimento de solidariedade.

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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