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Um Natal à espera da Selic

A Fecomércio-SP afirma que as recentes medidas do Banco Central não irão afetar as vendas de Natal. Mas somente à vista, pois quem comprar …

A Fecomércio-SP afirma que as recentes medidas do Banco Central não irão afetar as vendas de Natal. Mas somente à vista, pois quem comprar a prazo terá juros altos. Entre as medidas do Banco Central, já exaustivamente divulgadas, está o aumento do compulsório dos bancos (dinheiro que fica depositado no BC) para retirar R$ 61 bilhões da economia, restrição para empréstimos a longo prazo para pessoas físicas e retirada da ajuda do Fundo Garantidor de Crédito para bancos de menor porte.

Tudo isto com o objetivo de reduzir a inflação, atualmente em 5,72%, e, estimada em 2011, de 5,20%. Ambas distantes da meta de 4,5% do governo. Henrique Meirelles, presidente do BC: “Essas ações macro-prudenciais não substituem a política de regulação da taxa básica de juros, a Selic, mas devem ser usadas de forma complementar pelo BC. É prudente não dissociar estas ações das de política monetária. São complementares e usadas em situações diferentes. Em março de 2010 o BC também elevou as alíquotas  do compulsório e, em abril, aumentou a taxa Selic”.

Reuniões com próceres do mercado já estão sendo feitas para avaliar a elevação da taxa. Atualmente é de 10,75%, mas a previsão do próprio BC para 2011 é de 12%. A quem caberá a elevação, que parece necessária ainda este ano (para limpar o terreno da Dilma) – a Meirelles ou, em janeiro, ao seu sucessor, o gaúcho (torcedor do Inter) Alexandre Tombini?

GASTOS DO GOVERNO

Para a Fecomércio, se o aumento da taxa básica de juros se concretizar, o ciclo de consumo, principalmente de bens duráveis, deve se retrair. “Se o governo que restringir algum consumo, que seja o dele mesmo”, argumenta Antonio Carlos Borges, diretor executivo da Fecomércio.

O governo divulgou que o resultado de suas contas em outubro foi inferior ao mesmo mês de 2009, quando a arrecadação havia caído e os gastos haviam aumentado para combater os efeitos da crise econômica.

Com isto, a meta do superávit primário (parcela da receita destinada a abater a dívida pública) fixada para o ano não deve ser atingida. Dados preliminares, obtidos pela F. de São Paulo, mostram que nos 10 primeiros meses de 2010 o superávit primário ficou próximo aos R$ 65 bilhões para uma meta de R$ 76 bilhões. Quase a metade, R$ 31,9 bilhões, deve-se à manobra concebida pela Fazenda para transformar em receitas parte da capitalização da Petrobrás.

“Mas nem a heterodoxia de tal dimensão foi capaz de compensar o efeito combinado da frustração das receitas esperadas com a disparada e gastos neste ano eleitoral”, conclui a Folha.

Autor

Iara rech

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