Para Filipe Speck, cofundador e diretor da Matinal, o ano de 2025 foi atípico. Se por um lado, o veículo enfrentou dificuldades para expandir a audiência, especialmente por meio de canais tradicionais como busca orgânica e redes sociais, por outro, a palavra de ordem foi “consolidação”. Apesar dos obstáculos, a empresa conseguiu manter sua operação e, de acordo com o jornalista, se mostrou “extremamente saudável financeiramente”, finalizando o ano com as contas no azul.
Dois grandes desafios orientaram as metas de 2025. “Nós vínhamos tentando trazer a audiência para dentro da nossa plataforma, já que, com a ‘plataformização’ das redes sociais, tem sido muito difícil rentabilizar fora delas”, explicou. O novo site, lançado em novembro, foi desenvolvido com tecnologia orientada à receita de usuário no Jornalismo e é visto como um passo decisivo para acelerar o crescimento a partir de 2026.
A segunda grande conquista foi editorial. Filipe ressaltou que, ao longo de 2025, o veículo produziu dezenas de reportagens de impacto e conquistou, pela primeira vez, o ‘Prêmio ARI/Banrisul de Jornalismo’ na categoria Reportagem Especial. “É a primeira vez que a Matinal ganha esse troféu. Nós já havíamos ganhado outro em 2021, que foi o ‘Antônio González’, mas esse prêmio da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) mostra o quão consolidado o nosso veículo está hoje enquanto empresa jornalística”, acrescentou.
Metas ousadas e apoio do público
No campo financeiro, ele admitiu que as metas de faturamento eram ambiciosas e não foram plenamente alcançadas. “Nós havíamos começado o ano com a expectativa de receber um financiamento muito importante dos Estados Unidos, que infelizmente foi cortado no contexto dos cortes da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID)”, contou. Esse investimento seria direcionado ao crescimento de audiência.
Ainda assim, tanto o faturamento comercial quanto a receita de assinantes permaneceram estáveis. Embora em um primeiro momento o desempenho tenha parecido limitado, Filipe o considera como um destaque da força do vínculo com a audiência. Esse entendimento se tornou mais evidente nos últimos meses de 2025: “Recorremos a uma solução muito usual para veículos independentes como o nosso, que são os crowdfundings de final de ano. Conseguimos crescer em 5% do nosso faturamento de assinantes”. A meta era de R$ 50 mil – valor alcançado integralmente.
Atualmente, comentou o jornalista, entre 60% e 70% da receita da Matinal vem diretamente dos usuários, com variações de acordo com o período do ano. Além disso, esse modelo se fortalece em momentos decisivos para a comunidade, como anos eleitorais. “Em 2026, vamos desenvolver uma série de projetos focados nessa cobertura”, adiantou. De acordo com Filipe, à medida que o público investe mais em plataformas de Jornalismo e sente confiança no trabalho desenvolvido, aumenta a expectativa de crescimento.
Força social
Pensando em 2026, do ponto de vista econômico, Filipe acredita que anos eleitorais tendem a apresentar menor variação no Brasil, o que contribui para um cenário de relativa previsibilidade. “Além de termos esse crescimento de receita de usuário, o nosso negócio tem a grande vantagem de trabalhar com receita recorrente, o que significa que uma eventual crise não nos atingiria diretamente”, explicou. Ainda assim, ele reconheceu que o contexto mais recente – marcado por pandemia, enchentes e instabilidades – impõe cautela.
Mesmo diante das incertezas, Filipe afirmou que a Matinal seguirá operando como uma força social relevante. “O nosso jornal acaba tendo ou encontrando uma função em momentos de crise, mas a nossa expectativa é que a Cidade, o Estado, o País e o mundo se desenvolvam da melhor maneira possível”, concluiu.

