Em 8 de setembro, o mundo foi surpreendido com o anúncio do falecimento da Rainha Elizabeth II, após sete décadas do reinado que a tornou a monarca mais longeva da história do Reino Unido. De férias na Europa na ocasião, o jornalista Marco Matos foi o enviado do Grupo RBS para acompanhar o desdobramento dos fatos. Agora, de volta ao Brasil, ele falou com exclusividade à reportagem de Coletiva.net sobre os oito dias de cobertura em solo britânico. “Londres ficou irreconhecível”, descreveu.
O profissional relatou que estava na França quando soube do delicado estado de saúde da Rainha Elizabeth II e, assim que leu a notícia de que os filhos da monarca estavam se dirigindo à Escócia, percebeu que a situação era grave. “Até imaginei que talvez fosse ser acionado, mas segui a programação do dia em Paris. No meio da tarde, minha gerente entrou em contato e falou sobre a possibilidade”, contou. Como jornalista, Marco compreendeu a missão que tinha e, em poucos minutos, já estava no hotel fazendo as malas. “Foi justamente na hora em que fechava a bagagem que a notícia da morte foi divulgada pela BBC”, relembrou.
Recalculando a rota
Foram algumas horas da terra da Torre Eiffel ao Palácio de Buckingham, onde fez as primeiras entradas ao vivo na rádio Gaúcha assim que chegou, já na noite de 8 de setembro. “A rotina de trabalho era bem intensa. Acordava cedo para acompanhar as celebrações e, com o fuso de quatro horas a mais na comparação com o Brasil, ficava até bem tarde acordado”, afirmou. Porém, para Marco, o momento foi de muito aprendizado. “Fiquei no Reino Unido por oito dias, a maior parte em Londres, mas também fui para Edimburgo, na Escócia”, explicou.
Nessa dinâmica, o contato com os repórteres britânicos foi muito útil, visto que um dos maiores desafios era o pouco tempo para compreender os protocolos da realeza. A busca pelo melhor sinal de internet para se conectar com a redação em Porto Alegre também foi mais um obstáculo para o jornalista. “Como todos usavam celular, conseguir contato com os colegas demandava caminhar bastante até um ponto com menor concentração do público. Ficava nesse vaivém o dia todo”, justificou.
No meio dessa multidão, diversas equipes da BBC televisionavam todos os eventos que aconteciam, desde os cortejos até as movimentações de membros da realeza. “Os jornalistas estavam todos vestidos de preto e os repórteres cinematográficos também. Havia muitas câmeras, por todo lado”, contou. Os protocolos e a pontualidade também chamaram atenção de Marco: “Por exemplo, o cortejo do Palácio de Buckingham até Westminster era para começar 15h22 e foi exatamente nessa hora que começou”.
Para não esquecer
Foi neste mesmo cortejo que Marco vivenciou o momento de mais impacto da cobertura: a passagem do caixão da monarca em frente aos súditos, com a coroa sobre ele. “As pessoas choravam muito, e o silêncio era algo incrível. Ninguém falava nada. Foi um momento muito emocionante. Naquela hora, entendi o sentido de luto”, afirmou. Segundo o jornalista, o sentimento de tristeza atingiu até os críticos da monarquia, que souberam respeitar a trajetória da Rainha Elizabeth II. “No mundo de hoje, ver tanta gente chorando a perda de uma rainha me impactou. Jamais vou esquecer”, finalizou.

