
Em 2 de outubro, os brasileiros irão às urnas para escolher o presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. A campanha dos candidatos aos cargos, no entanto, já começou e, com ela, o trabalho dos jornalistas que cobrem todo o processo. Para quem atua na editoria de Política, em especial, essa é uma pauta diária. É assim para Renato Martins, da RDC TV, Rosane de Oliveira, do Grupo RBS, e Taline Opptiz, do Correio do Povo, três profissionais experientes que conversaram com o Coletiva.net.
As entrevistas geraram uma série ao portal, com conteúdo que será publicado em dois dias. Nesse primeiro, eles falaram sobre suas atuações e eleições marcantes. Amanhã, o texto trará o que eles consideram diferencial neste ano e ainda dicas para os comunicadores que estão começando nesta área.
Renato Martins calcula que já atuou em 15 coberturas de eleições, desempenhando diferentes funções como produção de programas, reportagem e coordenação de equipe. Entre os momentos, ele recorda as votações em papel, em que as jornadas duravam três ou quatro dias até sair o resultado. “Elas eram mais longas e mais cansativas, e por isso exigiam da gente muita energia e criatividade”, lembrou o profissional que, como repórter, viveu a central de eleições da RBS, onde se fazia a apuração paralela. Por isso, ele ia aos locais de votação, onde o pessoal lia os votos em voz alta.
Também acompanhou candidatos usando avião de pequeno porte, descendo em quatro ou cinco cidades por dia, porque eles visitavam as zonas eleitorais em apuração. “A agenda era frenética. Mas era muito marcante. Hoje, o processo eletrônico é rápido e indiscutível, os resultados saem rapidamente, e é melhor para todos. Mas temos menos histórias de cobertura para contar.”
Já Rosane de Oliveira chega a sua 22ª cobertura, além de um plebiscito e um referendo. Neste número, já se considera a de 1982, quando era recém-formada e trabalhava na Rádio Guaíba como redatora. “Além de escrever sínteses para o ‘Correspondente Renner’, em alguns dias eu era escalada para ficar no estúdio ajudando o apresentador de plantão durante a madrugada, porque a apuração se estendia por mais de uma semana e era preciso manter a programação no ar.”
Apesar de considerar cada edição um desafio diferente, a colunista de GZH e Zero Hora ressaltou a eleição de 1989, pela emoção da primeira vez, depois dos longos anos da ditadura. Ela era então editora de Economia no Correio do Povo, mas, em eleição, todos atuavam na Política. “À época eu era bastante ingênua. Fazia um comentário de política na Guaíba, como voluntária, mas fiz umas críticas meio pesadas ao candidato Fernando Collor e fui dispensada da função”, recordou a profissional que, dias desses, encontrou uma pasta com os prints do comentário que leu “e concluí que tudo o que disse sobre Collor veio a se confirmar depois”.
Rosane continuou no CP até 1992, quando foi convidada pela RBS para ser editora de Política de Zero Hora, onde ela disse que viveu as coberturas mais desafiadoras, “porque tinha responsabilidade da chefia de uma equipe e, depois, de ser comentarista. Quem nunca comentou eleição ao vivo não tem ideia da adrenalina. Na TVCom, fizemos história”.
Taline Oppitz atua em eleições há 20 anos, desde que entrou em 2002 no CP, já cobrindo a campanha como setorista do PDT e do PT. Nessas cerca de 10 eleições, ela já trabalhou como repórter e como colunista. Com essa experiência, ela não consegue destacar apenas um período, mas dois. A primeira delas, a eleição de Germano Rigotto, em 2002. “Ele saiu nas pesquisas com 2% das intenções de voto e era considerado já um dos candidatos que não teria a menor chance de chegar ao segundo turno. E ele acabou vencendo a eleição.”
Outro momento foi a tentativa de reeleição do Rigotto, quando, conforme a profissional, aconteceu o fenômeno ao contrário: ele era o favorito, com, em tese, uma vaga garantida no segundo turno. No entanto, o político tentou primeiro se credenciar internamente no então PMDB para ser candidato à presidência. Dessa forma, ele entrou tarde na disputa no Rio Grande do Sul. Apesar disso, continuava favorito.
“E aconteceu, em função do favoritismo dele e do movimento antipetista que se criou no Estado naquele ano, aquele efeito de migração de votos que foi uma estratégia utilizada pelo eleitor. ‘Bom já que o Rigotto está certo no segundo turno vão na Yeda Crusius para tirar o Olívio Dutra’”, destacou. A migração, entretanto, aconteceu de uma forma muito maior do que se esperava e o Rigotto ficou de fora do segundo turno e perdeu a eleição.
A disputa ficou entre Yeda e o Olívio, vencida pela política. “Aquilo me marcou muito, porque eu acompanhava o Rigotto na época como candidato e o dia começou com o Rigotto certo da votação de ir ao segundo turno.” Mas, ao longo do dia, com a liberação de pesquisa de boca de urna, o sentimento mudou. “No comitê, o clima era de incredulidade de todos e do próprio Rigotto, das lideranças, dos familiares e também da imprensa.”

