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O que esperar de 2026

Sempre depositamos nossa esperança em um novo ano que se inicia. Renovamos sonhos, refazemos promessas e logo nos preocupamos com o que está por vir, com as tendências que moldarão o novo ciclo.

Hoje, a maior expectativa está na economia: na possibilidade de conseguir ou mudar de emprego, melhorar a qualidade de vida e aumentar o poder de compra. Há previsão de geração de empregos, mas com salários ainda baixos e alta informalidade, o que limita a mobilidade social. E vale lembrar também que a maioria das famílias inicia o ano endividada.

Tem se ampliado o desejo da população por mais flexibilidade de tempo, qualidade de vida, saúde e autocuidado. Diante dessa demanda, o Congresso discute propostas para reduzir a jornada semanal de 44 para 36 horas e acabar com o modelo de seis dias de trabalho para apenas um de descanso. O tema será prioridade em 2026, mas a transição deve ser lenta e negociada entre empresas e trabalhadores.

Por outro lado, o Brasil tende a viver três grandes transformações no mundo do trabalho. A primeira é o empreendedorismo em expansão: em 2025, foram abertas 3,9 milhões de novas empresas, sendo 97,6% micro e pequenos negócios. A segunda é a ampliação da pejotização, quando uma empresa contrata uma pessoa como se fosse uma empresa (PJ – pessoa jurídica), em vez de assinar a carteira de trabalho (CLT). O terceiro ponto é a inteligência artificial, que vai remodelar profissões e exigir requalificação constante.

O brasileiro inicia o ano sabendo que haverá eleições, mas ainda não está envolvido nesse clima. O pedido, no entanto, é o mesmo de sempre: menos corrupção e mais eficiência e seriedade, com maior atenção a programas de desenvolvimento econômico, saúde, segurança pública e educação. Entretanto, novos temas surgem na agenda de prioridades como a situação do trânsito, a infraestrutura das cidades e o meio ambiente, especialmente em relação a planos de resiliência diante das mudanças climáticas. O país já começou 2026 com ondas de calor intensas, e as projeções indicam chuvas cada vez mais irregulares, ampliando extremos regionais.

Na saúde, espera-se avanços no enfrentamento do câncer e novas políticas voltadas ao planejamento do envelhecimento populacional. A tecnologia também é aguardada, com a expansão da telemedicina, prontuários eletrônicos e inteligência artificial aplicada ao diagnóstico.

Na área do consumo, consumidores mais exigentes e digitalizados demandarão experiências rápidas e seguras. O consumo tende a se conectar cada vez mais com as emoções e a identidade, criando vínculos profundos entre consumidores e marcas. A casa ganhará protagonismo, impulsionando setores como alimentação, mobiliário, decoração e entretenimento doméstico.

Diante de tantas incertezas e transformações, 2026 nos convida a cultivar a esperança sem perder o senso de realidade. É um ano que exigirá coragem para enfrentar desafios, mas também abertura para reconhecer oportunidades e se adaptar às novas mudanças que estão por vir. Que possamos atravessar este período com confiança de que, mesmo em meio às turbulências, cada passo dado em direção ao cuidado com as pessoas e com o planeta resultará em um futuro melhor.

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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