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A imagem do político não pode tirar férias

A maioria dos eleitores decide seu voto com base na imagem do candidato, e não na preferência partidária. O voto é fortemente influenciado por atributos simbólicos como confiança, esperança e identificação emocional, que funcionam como gatilhos de conexão entre o eleitor e o candidato. Esses atributos não são construídos em cima da hora, são cultivados ao longo do tempo, com coerência e presença dos candidatos em suas bases, com relacionamento físico ou digital. Os exemplos mais icônicos do país são Lula e Bolsonaro.

Vivemos em um país onde o sistema eleitoral é casuístico, marcado por regras que mudam conforme os interesses do momento. A cultura política brasileira é crítica, desconfiada e, muitas vezes, descrente. O eleitor não se guia por fidelidade ideológica, mas por experiências concretas e percepções simbólicas, podendo inclusive votar no “menos pior” dos candidatos. O eleitor observa, compara, julga e, quando não encontra coerência ou se decepciona, se afasta.

Nesse contexto, o político está inserido em um verdadeiro “mercado eleitoral”, onde sua imagem pública é o principal ativo. E, como todo ativo, precisa ser gerido com estratégia. Um candidato não pode aparecer apenas em época de campanha. É essencial manter uma construção contínua da imagem, alinhada a valores que dialoguem com o imaginário coletivo e com as demandas da sociedade.

Mais do que comunicar ações pontuais, o político precisa desenvolver um posicionamento simbólico consistente, capaz de sustentar sua narrativa ao longo do tempo, baseado em seriedade e eficiência. Essa coerência entre imagem e posicionamento é o que permite ao eleitor reconhecer um candidato como legítimo representante de suas expectativas.

A política está nas redes sociais. É lá que o eleitor se informa, se indigna, se conecta e cancela. A gestão da imagem pública não pode ser sazonal. Precisa ser permanente, estratégica e verdadeira. O político que não ocupa esse espaço de forma ativa e coerente corre o risco de ser definido por outros e nem sempre com a imagem que gostaria de ter.

O Modelo Preditivo de Opinião (MPO), desenvolvido pelo IPO, mostra que o eleitor forma sua opinião sobre a imagem de um candidato com base em três pilares: conhecimento positivo, conhecimento negativo e desconhecimento. Esses pilares revelam o espaço simbólico que cada liderança ocupa na mente do eleitor. E é nesse espaço que a imagem precisa ser construída, reforçada e protegida.

A cultura política brasileira exige do político mais do que promessas. Exige presença, escuta e coerência. O eleitor quer ver um alinhamento entre a forma como o político pensa, age e o que comunica. Quer sentir que há verdade na fala e consistência na trajetória. E isso não se improvisa, se constrói.

Em tempos de despolarização e fadiga política, há uma oportunidade para lideranças que saibam se posicionar fora dos extremos, com imagem sólida e narrativa conectada à realidade. Mas essa oportunidade só se concretiza para quem entende que a imagem pública é um projeto de longo prazo e que, na política, ela nunca pode tirar férias.

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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