
As empresas públicas de tecnologia deixaram de ser apenas provedoras de serviços de TI para se tornarem agentes centrais da transformação digital dos governos. Essa foi a principal mensagem do painel ‘De provedores a protagonistas: como as PRODs – Empresas Públicas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) dos estados brasileiros – estão redesenhando o Estado inteligente’, realizado no GovTech Summit 2026.
Mediado por Jefferson Padilha, assessor de Inovação do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, o debate reuniu Breno Alencar, diretor de Inovação Aberta e Governança de Dados da Emprel; Jhonatan Highlander, head de Inovação da Prodesp; e Karen Gross Lopes, diretora de Negócios e Relacionamento com Clientes da Procergs.
Para Karen Gross Lopes, a digitalização dos serviços públicos exige que as PRODs estejam diretamente conectadas à estratégia dos governos. “O mundo virou digital, os negócios são digitais e o governo também é digital. Nossas soluções precisam gerar impacto para o negócio e, principalmente, para o cidadão”, destacou. Para ela, a atuação dessas organizações passa pela governança, pela execução de políticas digitais e pela entrega de serviços capazes de melhorar a experiência da população.
Inovação e segurança jurídica
Representando a Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), Jhonatan Highlander compartilhou sua experiência de transição do setor privado para o setor público e destacou que a inovação governamental possui características próprias. Ao chegar à empresa, chamou sua atenção o fato de a área estar vinculada ao departamento jurídico.
“Eu me impressionei quando vi a inovação debaixo do setor jurídico. Depois entendi que faz todo sentido. A inovação não caminha sem segurança jurídica dentro do governo”, relatou. Para ele, o sucesso das iniciativas depende da incorporação da inovação à estratégia institucional, alinhando tecnologias emergentes, governança e marcos regulatórios.
Resolução de problemas reais
A experiência da Empresa Municipal de tecnologia do Recife (Emprel) mostrou como a inovação aberta pode aproximar governos, startups e servidores públicos na busca por soluções para desafios concretos. Segundo Breno Alencar, diretor de Inovação Aberta e Governança de Dados na Emprel, o ponto de partida é identificar os problemas prioritários das secretarias e envolver os gestores públicos durante todo o processo de construção das soluções.
“O nosso objetivo não é fomentar startups. Mas resolver desafios públicos”, salientou. De acordo com ele, programas de contratação pública de inovação têm permitido testar soluções em áreas como saúde, ampliar a capacidade técnica das equipes e gerar benefícios que ultrapassam os limites das cidades onde foram criados.
Os resultados alcançados pelas iniciativas de inovação aberta têm fortalecido o interesse dos órgãos governamentais, na visão de Breno. Ele citou casos em que o retorno financeiro chegou a ser 21 vezes superior ao valor investido, além da replicação das soluções em diferentes municípios e estados brasileiros.
Segundo ele, o sucesso das experiências fez crescer a procura das secretarias interessadas em participar dos programas. “No primeiro ciclo, fomos atrás das secretarias para que participassem. Hoje, temos o problema oposto: há muito mais interessados do que conseguimos acompanhar”, afirmou. Para os participantes do painel, o cenário demonstra que as PRODs estão assumindo um papel cada vez mais estratégico na modernização do Estado e na construção de políticas públicas orientadas por inovação e resultados.
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Com o apoio da Prefeitura de Canoas, a equipe de Coletiva.net está presente na terceira edição do GovTech Summit, realizado em 2 e 3 de junho, no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre. Durante a cobertura, participam as jornalistas Márcia Christofoli, Patrícia Lapuente, Márcia Dihl e Sarah Acosta e a social media Anie Cristine Gabriel, que produzem matérias, entrevistas e bastidores diretamente do local. O público pode acompanhar a cobertura completa no portal Coletiva.net, com repercussões nas redes sociais — incluindo Facebook e Threads — e conteúdos exclusivos no Instagram e drops na Coletiva.rádio.


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