| Quando nos encontramos, eu e ela, havia, contrariando o meu plano de isolamento durante a posse, uma multidão em volta. Eu a examinei toda e gostei logo da sua aparência. Seu tamanho me enchia os olhos e qualquer coisa se agitou em mim. E me aproximei dela. A cada passo em sua direção, o nervosismo da inexperiência ia desaparecendo, dando lugar a uma sensação de autodomínio, como se aquela já fosse a segunda vez. Mesmo com tanta gente nos olhando, eu avançava. A um metro dela me deu uma coisa. Algo estava errado, mas o bater descompassado do meu coração não explicava o quê. A primeira vez sempre perturba, não é? Meio encabulado, meio disposto a tudo, olhei-a diretamente onde mais me interessava e, relacionando esse interesse com o meu corpo, descobri o que era. A roupa. Era preciso tirar a roupa. É assim na primeira e nas outras vezes. Tinha que ser, claro. E com todo aquele pessoal em torno. Vamos lá, falei com os meus botões desabotoados. Trêmulo no início, comecei tirando peça por peça, como se fosse o estripitise derradeiro. A importância de uma seminudez numa ocasião como aquela é que me dava coragem. Já mais calmo e mais pelado depois, minha audácia cresceu e senti isso vibrando em meu ser, por todo o meu organismo. A descoberta de uma força ainda não liberada. A noção de algo maravilhosamente definitivo estava por acontecer virou uma espécie de febre, de tão quente eu me achava. O instante crucial chegava. Como eu me sairia da primeira vez? Então, preparado física e emocionalmente, caminhei firme para ela, através da assistência curiosa, debochada e até escandalizada com o meu estado de excitação. Nosso destino era o da união. Nada nem, ninguém, inclusive quem já havia passado pela primeira vez, poderia me fazer desistir ou atrasar o prazer que me estava reservado. Qualquer sujeito tem o direito à sua primeira vez. Deus fez o ser humano pensando nisso. Não pode ser pecado desejar tanto. E lá fui eu, fogoso, para o contato que há tempos eu sonhava. Lembrei na hora agá do conselho de alguém mais experiente: fui devagar. Ela me atraía um bocado e por isso tive que me controlar meu desejo para não me apressar e ter o gozo antes mesmo de penetrar nela. A platéia crescia. E o turbilhão começou. Primeiro, me aproximei o suficiente para que ela tomasse todo o meu corpo. E ela me envolveu em si mesma, macia e morna, como eu nunca imaginara ser possível. Até esqueci que a primeira vez ela ali, na frente de estranhos. Já dentro dela, a delícia das delícias, a loucura das loucuras: ela não saía do lugar, mas não parava de mexer. Era uma volúpia que embriagava de felicidade. Abandonei-me ao choque suave de dois corpos feitos um para o outro. Molhada como ela estava, eu entrava nela mais e mais, terno e doce, embora tivesse que usar alguma força e vigor para me manter em cima dela. O paraíso existe, constatei mergulhando na parte mais íntima dela. E eu continuei dessa maneira, juvenil e faceiro, satisfeito e possuidor, por muito tempo. Afinal, eu viera para a primeira vez e esta teria que ser inesquecível. Não foi assim com você também? Agora eu era um homem completo. A cada movimento dela, perceptível por toda a minha pele, eu atingia a fronteira do êxtase. Porém isso eu retardava especialmente para o fim. Tinha que gozar o mais possível do que ela oferecia, pois ela era mansa e pura como poucas são. E a essa altura do ato eu já a conhecia melhor. Já a havia observado por vários ângulos anteriormente, mas só há pouco reunira forças para abusar de todos os seus favores. Para meu pavor, minhas pernas já estavam até fracas. Será que eu exagerara na primeira vez? Aí o cansaço chegou de verdade. Seu vai-e-vem intenso e contínuo me extenuara completamente e a exaustão era só minha. Eu tentata e conseguira ficar sobre ela em várias posições que vira em livros que tratavam do assunto. Ela? Ela se mantinha pronta para mais e mais. Após me saciar, tive que fazer um grande esforço para tirar meu corpo de dentro dela. Parecia que ela queria me engolir! Fugi, finalmente, do seu fascínio e do seu murmúrio excitante. Mas já pensando, confesso, nas próximas vezes. Quando a deixei, ela ainda se mexia daquele jeito insinuante e convidativo. Tão convidativo que logo um outro tomou o meu lugar no meio dela. E, pelo modo como ele se atirou nela, não era a primeira vez dele, não…. Ela topava qualquer um, concluí um tanto enciumado e desiludido. Todas elas são iguais. Vesti a roupa sem ligar aos olhares e fui para casa dormir. Foi assim a primeira vez que entrei numa praia de mar. (Texto originalmente publicado em 1977) |
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