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Barriga

Carlos Alberto Parreira, que não tem de ser bom de oratória, mas de tática, cometeu um ato falho somado a uma impropriedade verbal durante …

Carlos Alberto Parreira, que não tem de ser bom de oratória, mas de tática, cometeu um ato falho somado a uma impropriedade verbal durante uma coletiva na semana passada. Depois de dizer que Ronaldo e Adriano formavam uma dupla de peso, dando-se conta das implicações da frase, rapidamente tentou corrigir: “Com o perdão da redundância”, acrescentou o treinador. Cobrado outra vez, insistiu: “Eu falei ataque de peso com o perdão da redundância”. A insistência revelou que Parreira não havia se enganado, de fato derrapara no idioma. Redundância significa repetição, pleonasmo, reforço desnecessário de uma idéia, justamente o contrário do que ele queria dizer. Poderia ter dito “perdão pela expressão”, ou até “perdão pela alusão”, que soaria estranho, mas ao menos arrancaria algumas risadas da platéia. Como errou com convicção, o que ele realmente disse foi que Ronaldo e Adriano são sinônimo de peso, portanto, a palavra peso soou redundante.

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Luiz Inácio Lula da Silva, para quem a má oratória é quase uma tática, diante do magro desempenho da seleção nos dois primeiros jogos, não perdeu a chance: “Eu quero é ganhar, vale até gol de barriga”. Com o perdão da redundância, acrescentaria o Parreira. 

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Perdem-se gols, mas não a piada. Ando me sentindo um astro do futebol internacional: gordinho, com bolhas e alguma tonteira.

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Perde-se o humorista, mas não a piada. Ronaldo pode ficar tranqüilo: se o Parreira, num inimaginável rasgo de coragem, tirá-lo do time, a turma do Casseta tem vaga para um gordinho dentuço.

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Ronalducho (ou Gordonaldo, você decide) pode até entrar em forma, fazer três gols por jogo e terminar a Copa como herói. Ele é atacante, tem talento, futebol é assim mesmo e etc. Mas, até agora, só Parreira e a Globo gostaram do que viram. Outro dia saiu no jornal a notícia de que Parreira havia decido mudar o ataque de peso por um mais levinho e animado. Mas a notícia era barriga.

Autor

Eliziario Goulart Rocha

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