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Batedor X Debatedor

No primeiro turno, eu dei um passo menor que as pernas. Aí ele me chamou de entrevado. Dei a ele a única coisa gratuita …

No primeiro turno, eu dei um passo menor que as pernas. Aí ele me chamou de entrevado.
Dei a ele a única coisa gratuita que eu podia oferecer. Um insulto.
Ele me pegou desprevenido e me deu um soco em cada cara. Revidei com o que tinha à mão. Cinco dedos.
Ele se abaixou e o nível da discussão foi junto. Foi a minha vez de lhe dar um golpe duro.
Falei que não tinha um tostão. Ele deu o troco. Nada.
Ataquei-o jogando contra o mundo. Um lance sem gravidade. Tanto que, tonto, ele me jogou longe. Fui e retornei com raiva.
Ele já estava na boca da espera. Percebi pelo hálito descansado.
Chutei-o logo abaixo da cintura e o atingi acima da dignidade. Ele gemeu.
Vi que a dor fora excelente professora. Enquanto eu me vangloriava de não ser aluno dela, ele me passou a perna. Rápida e rasteira.
Só encontrei meu ponto de equilíbrio na horizontal. Ele se atirou sobre mim e eu me senti por baixo. Reagi com o que podia. Porém ele repudiava e tripudiava.
Disse, falei e gritei que ia dar um cotovelaço. Acabei falando pelos cotovelos e nada mais.
Foi quando consegui erguer os ânimos, localizados nos meus joelhos. Ele se dobrou na violência e eu me desdobrei de rir.
Claro, ele veio se cobrar do ataque. Porém, eu já me recobrara antes.
Assim, parelhos na força bruta, lapidamos um ao outro, tirando lascas de esforço.
O corpo-a-corpo chegou às raias da selvageria e os selvagens se ofenderam com a comparação.
Ofegantes, trocamos pontapés, cada um querendo oferecer o melhor de si.
Ainda nos mordemos, suamos, arquejamos, como dois animais em luta. Tão exaustos que nos empalhamos em pé.
Aí ainda insistimos numas bofetadas na face oculta. Contamos de 1 a 9 e desfalecemos. Um quase empate.
Nesse ponto o segundo turno começou. Sem retórica.

Bom, definitivamente (2)

Bom pra tudo é utopia.
Bom pra vida toda é bem durável.
Bom pra tosse é irritação na garganta.
Bom que dá nojo é alívio após o vômito.
Bom de lascar é porcelana chinesa.
Bom às pampas é latifúndio gaúcho.
Bom como nunca se viu igual é exagero.
Bom até certo ponto é revisor.
Bom até enjoar é balanço de rede.
Bom de tirar o chapéu é dama à antiga.
Bom pra quem quer é ambição.
Bom de fato é jornalista experiente.
Bom pra ninguém botar defeito é plástica.
Bom que nem sei é um prazer desconhecio.
Bom em todos os sentidos é sensibilidade.
Bom pra todo mundo é turista altruísta.
Bom além da conta é engano do caixa.
Bom até dizer chega é o silêncio.
Bom de encher o saco é testículo graúdo.
Bom de deitar e rolar é colchão novo.
Bom de cama é marceneiro especializado.
Bom à beça é gíria.
Bom de alto a baixo é escorregador.
Bom pra diabo é o ateísmo.
Bom, bom mesmo, é ênfase.
Bom pra mim é o meu ego.

Parodiando

“No futuro todo mundo será famoso por 15 minutos.”
(Andy Warhol)

No futuro todo mundo será…

… clinicamente morto por 2 ou 3 minutos.

… neurótico desde o nascimento.

… um robô japonês durante alguns dias e muitas tarefas.

… assaltante temporário.

… louco por um vaga no estacionamento por anos a fio.

… casado mês sim mês não.

… livre vez ou outra.

… safenado a partir da idade escolar.

… assaltado ou roubado diariamente.

… inadimplente sem parar.

… bissexual às terças e quintas.

… dependente de produtos de soja para sempre.

… honesto por um breve período.

… catador de lixo o tempo que quiser.

…imbecil além do prazo aceitável.

… canceroso a vida inteira.

… aposentado após 100 anos de informalidade.

… corrupto em certas temporadas.

… sensível e compreensivo por no máximo 12 horas.

Etc.

Conhece o Mário?

Conhece o Santiago? Aquele que veio pra te empulhar dos pagos. É o que o meu macanudo amigo faz quando troca a caneta pela palavra. Sua fala é tão escorregadia que parece sabonete no chão da prosa – um duplo sentido que ninguém se abaixa pra apanhar. Com um repertório inigualável de chistes, o senhor Neltair Rebés Abreu resolveu repartir com todos nós a graça
de empulhar. Acaba de lançar o Conhece o Mario? pequeno e utilíssimo dicionário de empulhas e pegadinhas. Empulhação é sexo oral, ipsis literis: libido a roçar a fonética, língua excitada por trocadilhos, tímpanos a vibrar como hímens, tirocínio metido a botocínio, gozo feito riso, cada empulhado um coitado. Cuidado: empulhador melhor que o Santiago não existe e este é o kama-sutra das empulhações. Pra deitar e enrolar. Com certeza mais um campeão de vendas da próxima Feira do Livro. Ou desde já o mais comprado nas livrarias e bancas mais engraçadas da cidade. Conhece o chiste? Aquele que tira sarro mas tu não fica triste.

Autor

Fraga

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