Uma cidade é um perímetro acumulador de problemas cercado pela insuficiência de soluções por todos os lados. Mas, pergunta se alguém quer outro endereço. O êxodo rural, termômetro das febres sociais no campo, que responda. Administrar uma cidade deve ser tão fácil quanto dirigir um hospício. A diferença é que num manicômio há menos loucos, e na cidade há muito mais e estão todos à solta. Outro agravante é a moderna cidadania, uma forma de loucura ainda não catalogada. E os administradores de hoje em dia são outros doidos, eleitos apesar da doidice típica – vulgo politicagem. Nem sempre foi assim, e os álbuns de fotos antigas provocam uma Pelos vestígios de urbanidade e traços de civilidade de outrora, Os homens públicos pareciam incansáveis, mostravam talentos nas Hoje, em qualquer cidade, prevalece o carreirismo, os prefeituráveis se tornam imediatamente inaturáveis ao assumir suas tarefas. Seu instrumento de trabalho mais comum é a barriga, a empurrar a agenda municipal para a próxima gestão, mesmo que seja ele o gestor de amanhã, reeleito. Administrar cidades, atualmente, é assumir uma lenga-lenga de adiamentos, prorrogações, irrealizações. Em contraste com o administrador de antigamente, não se vê propostas práticas, soluções criativas, a promoção das possibilidades. Argh. Nem sempre foi assim, e os nomes de logradouros estão aí para referendar os acertos de eleições no passado, inclusive com os casos de homenagens injustas: ruas estreitas, quase becos no centro, denominadas para lembrar prefeitos memoráveis, como José Montaury, que teve seis mandatos e morreu pobre. Enquanto outros, não tão meritórios e até uns incapazes, viram perimetrais e avenidas moderníssimas. Dá vontade de votar nos mortos. Os cemitérios estão cheios de ilustres ex-prefeitos, cujas administrações exemplares fazem jus à inscrição lapidar: sentimos saudades. |
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Militar que, sozinho, vale por uma tropa, inclusive os cavalos. |
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