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Eleições 2016: 5 lógicas do eleitor no desejo de mudança

Partindo do pressuposto de que a intenção de voto é o sintoma de um comportamento, uma das primeiras tarefas de um candidato é analisar …

Partindo do pressuposto de que a intenção de voto é o sintoma de um comportamento, uma das primeiras tarefas de um candidato é analisar os indicadores de gestão e a tendência de continuidade ou mudança do eleitorado de uma cidade.

A priori, para um governante pedir continuidade, além de manter um patamar mínimo de 40% de avaliação positiva (ótimo e bom), precisa difundir as “marcas” do seu governo para que os eleitores “promotores” tenham argumentos de convencimento.

Na atual conjuntura a palavra “mudança” e a expectativa de mudança desejada pelos eleitores não está associada, necessariamente, à “troca de governante”, mas sim com a “forma de gestão”. O eleitor deseja a resolutividade dos serviços prestados, espera que os serviços sejam realizados com eficácia e eficiência.

As várias pesquisas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião demonstram que a maioria do eleitorado não está preocupada com “a troca de governante”. A preocupação do eleitor está situada “com a forma de administrar” e no “cuidado com as questões básicas de uma cidade”.

Quando questionados sobre o significado da palavra “mudança”, fazem associações relacionadas à melhoria de serviços públicos tais como: (saúde, educação, segurança…). Para os eleitores, a forma ou maneira de administrar uma cidade significa “melhoria na gestão”, “agilidade”, “otimização”, “resultados”…. Ou seja, o eleitor deseja que os serviços públicos funcionem de uma forma mais efetiva, solucionando os problemas do dia-a-dia da forma mais ágil possível.

Via de regra, verifica-se que o raciocínio da maior parte do eleitorado ao avaliar o tema “mudança” segue a seguinte lógica:

1º) O eleitor pensa de forma objetiva em um serviço. Cita o serviço que na sua opinião precisa receber mais atenção (por exemplo, a saúde);

2º) Na sequência avalia que além de o “governante” priorizar o serviço, precisa repensar a forma de “fazer”, “como o serviço funciona” e “como deveria funcionar”;

3º) Durante esta reflexão, o eleitor remonta alguns insights da eleição anterior e das propostas que estavam em suas lembranças ou que foram divididas em sua rede de relações. Em muitos casos, o eleitor chega à conclusão de que “talvez” seja melhor “trocar” o governante.

4º) Passa a analisar as alternativas dispostas no cenário eleitoral, as alternativas de candidaturas.

5º) Sabendo “o que quer mudar”, o eleitor procura o candidato que tenha as características e o comprometimento com a necessidade ou meta dele, eleitor.

É neste contexto de reflexão do eleitor em prol de uma “mudança” que prime por “cuidar da manutenção básica dos serviços públicos” que se deve analisar a tendência da decisão de voto do eleitorado nas eleições de 2016.

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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