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Fim do mundo à moda da casa

Já imaginaram o Fim do Mundo pela administração pública brasileira, de qualquer dos governos do passado, contemporâneos ou do futuro? Primeiro, faltaria o que …

Já imaginaram o Fim do Mundo pela administração pública brasileira, de qualquer dos governos do passado, contemporâneos ou do futuro?

Primeiro, faltaria o que sempre falta aqui: verbas.

Aí viriam as soluções: pedir empréstimo ao FMI, aumentar os impostos, criar um FinFimMun (as empresas pagariam 5% dos seus lucros, com direito de a restituição em dobro após o evento), emissão de reais sem reservas em ouro (o que acabaria com a Casa da Moeda antes de ter recursos para acabar com o mundo) e uma campanha para as pessoas dar Ouro Pelo Mal do Brasil.

Algumas medidas até dariam certo, e muito dinheiro apareceria. Mas as fraudes nas arrecadações, dois ou três rombos no programa e corrupção a pleno liquidariam com os fundos para destruir o Mundo. O mundo continuaria existindo por falta de verbas.

E as Comissões? Comissão de Coordernação do Abalo Final, Comissão Pró-Apocalipse, Comissão de Desmanchar-Com-As-Mãos-o-Que-Antes-Havia-Sido-Feito-Com-os-Pés, Comissão de Controles de Filas para o Holocausto Universal etc. Tudo centralizado na Comissão Brasileira do Fim, a CBF, pra se perder definitivamente a esportiva.

Em todas as comissões, zilhões de escândalos: desvio de recursos, nepotismo em altos cargos e funções para o fim do mundo, licitações ilícitas, essas coisas de rotina que são o fim do mundo hoje em dia.

Já o Programa do Fim do Mundo propriamente dito seria coerente com os seus objetivos: uma bomba. Não uma bomba no sentido necessário a uma Hecatombe, mas sim uma droga enjambrada entre alguns milhares de tecnocratas que jamais fizeram coisa nenhuma pelo fim de coisa alguma.

O Fim do Mundo seria, por causa do plano ruim, dos projetos equivocados, da organização desorganizada e da incompetência generalizada (com civis também atuando), seria adiado dia após dia, semanas, meses, anos – e os juros vencendo.

Quanto aos equipamentos, ih, estaríamos perdidos se fôssemos contar como produto nacional para a derrocada Geral do Planeta. Do parafuso ao computador, do foguete à recém-bolada máquina de cortar a Terra em fatias, nada funcionária. CPIs, inquéritos, tudo seria feito para apurar as causas do fracasso. Mas o Mundo continuaria girando, girando, girando.

Em suma, o Fim do Mundo não daria certo com o jeitinho brasileiro. Era até bem capaz de tudo ficar mais firme, mais forte e, quem sabe, mais agradável.

Melhor deixar o Mundo como está do que passarmos esta vergonha perante todos os outros povos. Nosso progresso e desenvolvimento ainda não estão preparados para uma tarefa tão gigantesca.

Sobra-nos o consolo de sabermos que, pelo menos em pequena escala, já conseguimos mão-de-obra especializada. É só olhar o desmazelo da máquina governamental, a Educação sendo arruinada ano a ano, o Sistema de Saúde se desfazendo, a malha viária corroída, a degradação dos serviços públicos, sem falar na quebra de tantas infra-estruturas, como a aérea.

Não, não chega a ser o Fim do Mundo. É só o fim do mundinho de cada um de milhões de brasileiros. Mas, já é um começo.

(Pérola do Mario de Almeida, colunista aqui da Coletiva,
que a enviou lá do Rio. Gracias, meu amigo!




Autor

Fraga

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