Já estamos todos acostumados: entrar em aviões e ter que desligar celulares e lépitopis. Paranóia ou năo, a segurança a bordo previne: voar, sim; voar pelos ares, năo. Esta é a fase atual da evoluçăo do medo paralelo entre os meios de transporte e os meios de comunicaçăo. A cronologia dos avanços tecnológicos e dos temores humanos, lado a lado, bem poderia incluir etapas assim:
Na pré-história:
“Năo fazer pinturas rupestres enquanto alguém estiver esculpindo esse negócio chamado roda.”
Outras eras da antigüidade:
“Placas de escrita cuneiforme năo serăo embarcadas em veículos de traçăo animal.”
No tempo das pirâmides:
“Favor năo trazerem suas pedras de roseta para as viagens de barco pelo Nilo.”
No império romano:
“Bigas e quadrigas năo devem transportar pergaminhos em rolo.”
No Brasil colonial:
“Giz que arranhe lousa năo serăo aceitos nos carros-de-bois.”
Na época dos balơes:
“Cálamo e frascos de tinta devem ser deixados em terra antes da ascensăo do balăo.”
A partir de 1900:
“Telefones a manivela năo podem ser utilizados em trens.”
Meados do século XX:
“Linotipos de chumbo quente estăo terminantemente proibidos em nossos DC3.”
Etc.
| Os partidos se dividem entre o balaio de gatos e a farinha do mesmo saco. E o pior vem na corrida presidencial: as famigeradas alianças. |
| Trauma cerebal afasta Cristina Kirchner da presidência. Quer dizer, por uns tempos a situação do povo argentino será menos traumática. |
| Se a desigualdade social no Brasil fosse para todos, pelo menos haveria alguma igualdade. |
Poeminha Primaveril
É Primavera e eu nem notei.
Esse perfume na brisa é sem par:
há menos lixívia negra no ar…
Com o brilho das águas do rio apodrecido,
a poluiçăo ganhou maravilhoso colorido.
Esse clima da Natureza é fantástico:
serăo os canteiros das flores de plástico?
Ou as aves que voam em debandadas,
a fazer ninhos nas árvores podadas?
Esse verde das ruas é encantador:
o musgo das sarjetas já desabrochou…
Frutas e verduras também deram vida,
Como se houvesse nelas novo pesticida!
Esse sol que vem cedinho nos iluminar:
quase faz esquecer a ameaça nuclear…
E os desertos crescendo ao nosso redor,
têm um năo-se-quê de mal menor.
Essa estaçăo é toda feita de paz:
é mais suave a extinçăo dos animais…
E as pessoas matam com todo carinho,
os semelhantes que atravessam seu caminho.
É Primavera e eu năo notei.
Como eu sou insensível.
(Publicado originalmente há mais de 25 anos.
Infelizmente năo ficou nem um pouco desatualizado.)
| A linha entre o público e o privado acabou no dia em que a privacidade começou a ser lucrativa. |
| As ruas andam cheias de palavras de ordem. Mas sempre se pode enchê-las de desobediência civil. |
| Ontem. Para o desmemoriado, é sempre um daqueles dias calmos em que nada aconteceu. |

| Nenhuma estatística é de alto nível. Porque todas as estatíscas teimam em nivelar tudo e todos. |

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