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O eleitor não sabe votar ou o partido não sabe escolher?

O processo eleitoral se avizinha e logo os partidos políticos terão que lançar os seus candidatos a prefeito e a vice-prefeito. Esta escolha geralmente …

O processo eleitoral se avizinha e logo os partidos políticos terão que lançar os seus candidatos a prefeito e a vice-prefeito. Esta escolha geralmente ocorre em função das forças políticas que se constituem em um diretório partidário: ganha o direito de ser candidato o pré-candidato que tem mais capacidade de angariar apoio dentro de seu partido.

Muitos partidos apresentam seus candidatos e após uma derrota eleitoral afirmam: o eleitor não sabe votar! O eleitor analisa as opções do cenário eleitoral e diz: os partidos não sabem escolher seus candidatos! Um ciclo vicioso que poderia ser quebrado se os partidos observassem as demandas e os anseios dos eleitores, em especial, em um cenário de terrificante instabilidade política.

O IPO – Instituto Pesquisas de Opinião mapeou os principais atributos que os eleitores esperam de um candidato a Prefeito ou a vice-Prefeito.

– Ficha limpa (não estar sendo processado pela justiça eleitoral/ não pode ter o risco de ser considerado ficha suja). Com a era “lava Jato” este é principal indicador de um bom candidato.

– Ter caráter/ ser integro/ honesto = O eleitor deseja um candidato Ficha Limpa do ponto de vista legal e integro do ponto de vista moral. O candidato precisa ser reconhecido pela comunidade e por seus pares como uma pessoa de palavra, que cumpre o prometido. Vivemos um momento em que a moralidade pública é um elemento sine qua non para a sociedade (Ficha limpa + integridade/ honestidade). O eleitor simplifica o princípio: “se não posso confiar como pessoa, não posso confiar como político”.

– Experiência como gestor = Experiência administrativa/ política mínima, com capacidade de gerir projetos, pessoas. Esta característica é avaliada pelo eleitor tanto do ponto de vista de experiência como de formação. O currículo do candidato e sua trajetória são de suma importância para atestar condição mínima de gerir as demandas sociais.

– Capacidade de negociação/ saber ouvir as pessoas = Em um momento de instabilidade política, os eleitores desejam um representante que tenha a capacidade de mediação política, de “ouvir as pessoas”, discernimento e sensibilidade para compreender as demandas e buscar uma solução com menor percentual de conflito possível. Os eleitores rejeitam os candidatos arrogantes, que se “sentem donos da verdade” e que não tenham a capacidade de negociar. O princípio de decisão do eleitor é simples e está associado a origem da democracia representativa: quem representa precisa ter a capacidade de apresentar a melhor saída para as partes envolvidas, devendo sempre primar pelo interesse público em detrimento do interesse pessoal.

– Ação pelo bem-comum. = Ter tido mandato, ter vivenciado ou sido gestor de um projeto social, trabalhado em prol de uma comunidade, “ter colocado a mão na massa sem esperar nada em troca”. A decepção dos eleitores com a política e os políticos amplia o anseio por um candidato que coloque em primeiro lugar a capacidade de governança. Na fórmula dos eleitores este conceito aglutina, de certa forma, a maior parte dos atributos anteriores: pessoa íntegra + com experiência + com capacidade de mediação + ação efetiva de projeção ou execução de projetos sociais = político que se deseja, que irá entender e representar a sociedade.

A premissa dos eleitores desenvolve uma fórmula básica, tão básica que remonta os princípios mais elementares da representação política.

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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