1.
Falam mal do celular, mas só através dele. A engenharia eletrônica o pariu, a telecomunicação o pirou e a vigilância sanitária não o parou. Nada se escuta, de rigoroso e definitivo, sobre os efeitos da radiação no cérebro humano. A única suspeita, já confirmada cientificamente no Brasil, é um tipo de impotência crônica causada em todos os usuários: jamais conseguem nada sempre que reclamam de serviços e tarifas.
2.
Soubessem ler o tigres e entre eles circulassem nossos jornais, que horror nossas páginas causariam durante seu sanguinário breakfast? O mais faminto dos tigres, digerindo as nossas violentas notícias, compreenderia a fúria que nos move, mesmo quando estamos saciados de tudo? Sosseguem os tigres em sua compreensível carnificina: informação de arrepiar é dirigida apenas ao mais temível animal da jângal. Justamente o que não sabe nem selecionar os jornais que merecem leitura.
3.
Imagine o imaginável: textos de autores clássicos ou contemporâneos, famosos ou desconhecidos, bons pra caramba ou nem tanto, perdendo ou tendo trocado o que têm de mais original: a identidade criadora, que, afinal, dá ou tira o crédito à cada idéia. A seguir, imagine toda essa produção apócrifa impressa livremente em prensas manuais, impressoras gráficas e em rotativas, recebendo capas e encadernação. Imagine mais: farta distribuição gratuita de toda essa riqueza literária a qualquer um, a qualquer hora, em qualquer lugar, a toda hora, quanto cada leitor quiser. Imagine então todos os leitores trocando tudo isso entre si e reproduzindo e redistribuindo à vontade. Imagine a confusão criada. Imagine não o fim dos direitos autorais (que aqui nem vêm ao caso) mas o fim da credibilidade de cada texto, de todos os textos. Imagine além ficção, imagine textos políticos, ensaios filosóficos, artigos científicos, obras didáticas, o que mais pensar. Agora imagine o inimaginável: toda essa desinformação já disponível na internet. Pois é. Sua imaginação chegou à ponta do iceberg.
(Publicado aqui mesmo em 17/6/05.
Republicado por repescagem de leitores)
| Zé Dirceu vai trabalhar em hotel: Finalmente a consagração nacional do semi-aberto! |
| Não devemos prejulgar todos os juízes. Um de cada vez já tá bom. |
| Complexo Penitenciário da Papuda. É por esse e outros nomes que começa a avacalhação da justiça no Brasil. |

| O governo se orgulha do Ministério da Saúde. Mas a população é prioritariamente atendida pelo Ministério da Doença. |
| Ainda não deu pra dimensionar com exatidão a fraude na Carris. No mínimo é do tamanho de um bonde. |
| As superbactérias proliferam nos hospitais porque é lá que encontram as melhores condições para sobreviver. |
BUGIGANGAS DESCONJUNTADAS
“Ama o teu semelhante” não funciona nem entre
os que seguem a mesma tendência fashion.
Se todo mundo o tempo todo deixa tudo pra lá,
vantagem há: o ali e o acolá são espaços livres.
Quem diz que gosto não se discute
geralmente escolhe muito mal as coisas.
No trânsito, quando o diabo não vem, manda algum
engenheiro de tráfego ou estagiário da EPTC.
Ainda está por nascer o Papa que será favorável
ao aborto – se não for abortado antes,
As pessoas são previsíveis, sobretudo aquelas
que afirmam que as pessoas são previsíveis.
“Juros vão subir”, “Juros vão baixar”.
Isso nunca tirou o sono de nenhum banqueiro.
Para os diabéticos, doçura não é uma virtude.
É um agravante clínico.
| Sei de fonte segura que não há mais fontes seguras. |

*As discussões estão sujeitas à moderação. Antes de comentar, leia nossa Política Editorial