| A verdade – a menos verdadeira das palavras – é coisa onipresente e oniausente: em toda parte está, em nenhuma se avista. E o lugar onde a verdade mais aparenta estar e onde menos se encontra, é o jornal. Dá para entender o sumiço: areia movediça não mantém pilares. Mas o fascínio (e a danação) do leitor é procurar pela verdade nas páginas jornalísticas. Porque todo leitor exigente quer acreditar que a crença do bom jornalista é também a sua. E vice-versa. Dessa insana busca ainda se ocupam repórteres e editores. Do ímpeto virgem do estagiário à teimosia mais antiga nas redações, o empenho singular se renova em meio ao desempenho rotineiro. Tentar trazer alguma verdade à tona pode ser verdade mais que suficiente para preencher alguns parágrafos memoráveis. Dessas tentativas – ilusórias ou não, determinadas ou casuais – vivem as edições (diárias, semanais, mensais) de quaisquer jornais brasileiros. Mas esse é só o esforço periódico. Resultados são outra história. Que é contada mais pelos fracassos perseguindo verdades do que pelas raras vezes em que elas, nem tão nuas nem tão cruas, foram parar nas manchetes. Inexplicavelmente, os insucessos investigativos no Brasil se explicam. É que, como fonte, o país é como uma enguia ensaboada. Fucem o que fuçarem, o Brasil não se deixa apanhar de jeito nenhum. Fraudes, falcatruas e farsas, da política à economia, são apenas a ponta da ponta do iceberg. Por isso nem no fundo do fundo mais fundo os jornais localizam uma faceta que seja da verdade. Aí é que surge a oportunidade para um jornal – um bom jornal – mostrar A história da nossa imprensa está cheia de ótimos exemplos, em épocas sombrias e fases claras, de jornais que botaram o dedo em riste nas feridas verde-amarelas. Jornais dispostos a cumprir sua missão independentemente da tiragem, abrangência, periodicidade, ou retorno comercial. Para esses, o que importa é desmascarar mentiras ou, se não der, apurar que a verdade não é bem assim ou que não é só aquela. Na pior das hipóteses (e mais corriqueira atualmente), denunciar a ausência de verdades. Ou, até, da falta de denúncias. Denúncia é uma vocação de jornais que servem à sociedade. Pode ser a nação inteira, um estado, cidade, bairro, comunidade. O fundamental, em qualquer circunscrição, é o mérito de querer desvendar fatos, deslindar enredos, destramar tramas. Quando um jornal desses, denunciador por coerência, respeitável pela consistência, sobrevive num mercado mais que competitivo, predador, esse jornal merece, vez ou outra, pelo menos uma salva de palmas. O jornal JÁ, ao completar 21 anos, é, por um mínimo de justiça, alvo de admiração. Sobretudo porque está cada vez mais difícil admirar a grande imprensa, que há muito deixou de ser o quarto poder para ser o todo-poderoso dos seus próprios interesses. O JÁ não é o único jornal denunciador que existe. Mas, considerando seu retrospecto de resistência, suas abordagens corajosas, as pressões de mercado e as minguadas perspectivas para a pequena imprensa, o JÁ talvez venha a ser o que os seus admiradores nem cogitam – o último. Clap! Clap! Clap! |

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