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Trovinhas grafarianas

Nem régua nem compasso a Bahia não nos deuDo pampa ganhamos o laço, daí o risco no céuCom o fio do horizonte se começa …

Nem régua nem compasso a Bahia não nos deu

Do pampa ganhamos o laço, daí o risco no céu

Com o fio do horizonte se começa uma paisagem

Com o suor da sua fronte, mistura a aquarelagem

Carreta na frente dos bois? É uma charge que surge

Ou cartum, talvez os dois: em ambos o bicho muge

A partir do beiço e da fuça da indiada, da impostura,

Sob medida a carapuça – está feita a caricatura

Da guampa até o embu, traçamos da sanga ao chão

Tratamos animal por tu, tudo serve à ilustração

De a pézito ou a cavalo, na cidade ou no sem-fim

Se rabisca até com um talo, se abre poço de nanquim

Papel se poupa na macega, preciosidade pro acervo

A desenhar até na refrega, lápis quebrado dá nos nervo

Sem o guache o cara é guacho, sem borracha é louvor

Com o carvão vira macho, com facão tem apontador

Em revista, gibi e jornal, artista deixa o seu rastro

Se adoecer ou passar mal, tracejamos no emplastro

Madrugamos meio grogue, pra ordenhar as ideias

Nosso tambo é nosso blog, nosso deleite a pilhéria

Pilchados de profissionais, o desemprego nos cincha

Mas na hora dos baguais, a china tem que ser tinta

No meio do fuque-fuque, já pensamo no quadrinho:

A cena vira sketchbook, pra folha vai o carinho

Gaúchos desenhadores, assim nos coube grifar

Das canetas somos senhores, no território da Grafar.

(Puxa-sacamente pra cambada da Grafar – Grafistas Associados do RS:

Alisson, Azeitona, Batsow, Bier, Byrata, Cado, Canini, Carla Pilla,

Chiquinha, Dinorah, Edgar Vasques, Eugênio Neves, Guilherme

Moojen, Hals. Joaquim da Fonseca, Juska, Lancast, Louzada,

Maucio, Maumau, Moa, Pedro Alice, Pomba, Rafael Corrêa, Rodrigo

Rosa, Ronaldo, Ruben, Santiago, Sica, Simch, Thiago Esser, Uberti,

Veríssimo, Vicente, Wagner Passos, Zimbres e Nani, anfitrião do bar

Tutti Giorni, a sede social da associação)

 

“Tortura Nunca Mais.”

Mas é evidente que os torturadores

continuam a dizer “até amanhã”.

Quando um banco lucra 3 bilhões

num trimestre e nenhuma indústria

fatura isso, se vê onde ocorre

a maior depredação no país.

De tempos em tempos discutem

a adoção de pena de morte no Brasil.

Como se já não existisse.

 

 

 

É duro o ensino: alunos não sabem

o que é ser professor neste país.

É difícil o aprendizado: professores sabem

o que significa ser aluno no Brasil.

 

 

Quase impossível impedir

a espionagem americana no mundo.

Mas sempre se pode mostrar a língua

às câmeras invasivas do nosso prédio.

 

 

Um dos testes mais cruéis com beagles,

feito por milhares de pessoas,

é criar esses cães em apartamento.

 

 

BUGIGANGAS A ESMO

A vida passa correndo.

E os maratonistas masters ainda tentam chegar

em menos de 2h15min!

Idiotas se amontoam na frente da tv;

medíocres são contratados para os bastidores.

Se o tempo fosse mesmo o melhor remédio,

não influiria na validade dos medicamentos.

A gente usa sinônimos numa boa,

embora em alguns casos soem como jibóia.

Percalço é quando um dos pés da mesa está desnivelado

e nada do que se improvisa consegue nivelar.

A vingança é doce.

Nem por isso diabéticos evitam ser vingativos. 

Não é a água que dá emprego aos salva-vidas.

É a imprudência da humanidade. 

Para os motoboys, todos os acidentes fatais

terminam em pizza. 

 

No Facebook acham que lá todos

se comunicam mais. Podé até ser.

Mas alguém já viu conversa ao vivo

acabar só porque a internet caiu?

 

Bailei na Curva: 30 anos sem se perder por aí

Em 83, mal a gente tirara os cavalinhos do temporal da ditadura, o brilhante Júlio Conte e sua estupenda trupe lavam a alma de uma geração. Na época vi e revi, engasgado de emoção. Em 85 e 88, no Rio, vi e revi, outros nós na garganta. (Momento memorável: certa tarde ensolarada em Ipanema, o Júlio me acha no meio da multidão e corremos pro abraço, ele e eu recém-chegados à cidade maravilhosa.) Em 2013, vi pela quinta vez, emocionado até às goelas. Mas os méritos de Bailei na Curva também sobem à cabeça do público: provocam reflexão sobre o que esse Brasil já passou, e toda atenção é pouca pra não passar de novo. Enfim, um clássico empolgante, cativante, emocionante ou, num só adjetivo, sem rimas – imperdível. Antes que SP e Rio batam palmas de pé em janeiro, aplauda entusiasmado agora em Novo Hamburgo. Informações completas aqui. De nada.

 

Autor

Fraga

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