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Trupe de elite

Daria um divertido filme. Humoristas – cartunistas, chargistas, caricaturistas, quadrinistas – em missões urbanas, pra levar de assalto o riso onde impera a desgraça. …

Daria um divertido filme.

Humoristas – cartunistas, chargistas, caricaturistas, quadrinistas – em missões urbanas, pra levar de assalto o riso onde impera a desgraça. Armados de canetas 0.8, ponta-secas e longos pincéis, invadiriam favelas e ruelas e, diante da descrença e da desesperança, atirariam chistes certeiros na população. Sem dó nem piedade, velhos sem saúde, donas-de-casa sem casa, crianças sem escola, desempregados, todos tombariam às gargalhadas.

Treinados diante da tamanha palhaçada que é Brasília, estariam aptos a desmontar a falsa seriedade, a demolir a idoneidade de fachada, a derrubar a impunidade solene. Com seus uniformes camuflados (belíssimas manchas de aquarela e nanquim), irromperiam onde todo dia há massacre do bom humor. Em rápidos traços e lindas cores, deixariam um rastro de nuances e insinuações de graça. Implacáveis com o meio-tom, atacariam com mangueiras de guache. E o meio-termo, ah, um lança-manchas dava um jeito.

Não sei se tal filme faria sucesso, se teria cópias pirateadas, se causaria polêmica. Só imagino que talvez pudesse reabilitar a palavra elite, que vai da truculência policial à prepotência social e arrogância intelectual com a mesma desenvoltura. Elite é um rótulo pra vender esse estado de coisas a que o Estado chegou. Em vez de mais tropas num país tão estropiado, uma trupe. Se é pra haver mortos a cada batida, que morram de rir.


A desconfiança é o espelho retrovisor
da humanidade.

Ouça o que o seu instinto de sobrevivência diz.
Sobretudo em dois momentos:
depois do anoitecer e após o amanhecer.

Se as pessoas tivessem o faro que têm certos animais,
mesmo assim usariam mal as narinas.

É certo que para cada ação corresponde uma reação.
Mas é certíssimo que, para cada milhares de ações,
corresponde um bom rendimento mensal.

Choques de personalidade têm limite.
Como aqueles entre uma palma de mão e uma face.

Antipatia não se explica.
E fica ainda mais inexplicável toda vez que um antipático
insiste em dar explicações.

A diferença entre um arrepio e um calafrio é:
um eriça os pêlos do braço e o outro, os da mente.

Temperamental é todo aquele que explode
à toa, em sua própria Bagdá mental.

Estranheza entre estranhos não é estranho.
Estranheza entre íntimos, é.

Uma associação de pessoas ariscas e arredias
é uma contradição em termos, vulgo oxímoro.

Etc.

Autor

Fraga

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