De véspera ninguém morre. Matadores de aluguel matam somente no dia aprazado.
Bom senso é sempre de bom tamanho. Já o consenso, que é o senso compartilhado, esse é sempre mediano.
Sonhar traz consequências terríveis na manhã seguinte: ouvir as narrativas alheias e as interpretações ao redor.
Para cirurgia renal ou da vesícula, pedra é fundamental.
Aqui se faz, aqui se recebe no máximo umas medidas socioeducativas.
Tem gente que sonha em vão: em vão de marquises, em vão entre prédios, em vão de viadutos.
Sábio, o louva-a-deus: ele não desdenha insetos sem religião, devora todos.
Viver dá um trabalhão danado, sobretudo quando falta trabalho.
Não tenho dependentes a declarar, a não ser o Ministério da Fazenda.
Quer sarna pra se coçar? Critique os fabricantes de antimicóticos.
A certa altura, o outono na natureza deixa de ser encantador: é quando coincide com o outono pessoal.
Sono – esse involuntário armistício entre os povos.
Lembrete obóvio aos entusiasmados com o e-commerce: pode acabar em e-dívidas.
A gente manda a Morte pra pqp, e ela não vai; ela nos manda pro inferno, e a gente vai.
A precisão na medição do tempo é recente: houve época em que enchiam ampulhetas com areia movediça.
O inesperado surge quando estamos relaxados. Enquanto estamos apreensivos, ocorre só o esperado.
Quem sofre de má digestão pelo menos faz refeições.
Para cometer equívocos ninguém precisa ter certeza alguma.
Beijar é a melhor maneira de fazer leitura labial.
A incredulidade tem o seu valor: calcule tudo que você deixa de gastar em medalhinhas, patuás, talismãs, dízimos etc.
Se fosse proibido se queixar, as queixas seriam piores.
As coisas estão encarecendo tanto que até barganhar sai caro.
Não dê o peixe. Ensine ao cara o caminho da peixaria no mercado público.
A Justiça falha, mas só magistrados falham magistralmente.
Em teoria, tudo se sabe; na prática, todos correm pro gúgol.
Botecos, onde ninguem morre, são sempre multados pela vigilância sanitária. Hospitais de luxo, onde bactérias matam seguidamente, nunca são.
Sonhos de consumo tem aos montes, e gente consumida por eles tem himalaias.
Etc.
Nos acordos comerciais entre China e Brasil,
cada brasileiro vai arcar, no mínimo,
com uma cota de R$1,99.
Se o petróleo da Arábia Saudita fosse
administrado pela Petrobras, até os xeiques
reclamariam do preço da gasolina.
Se as pessoas não se desarmam
nem de palavras, imagina de armas.
Não arrume encrencas. Melhor pra
todo mundo se ficarem desarrumadas.
Aqui se faz, aqui se recebe
no máximo umas
medidas socioeducativas.

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