O primeiro PC que se tem notícia foi o Primatus.
Seu hardware era igual ao do mais sofisticado modelo atual: um potencial processador embutido na caixa superior da máquina. Na parte frontal, havia duas telinhas lado a lado e câmeras acopladas. O tubo de ligação entre o processador e a CPU trazia reprodutor de som e pequeno alto-falante abaixo do canal de ventilação. Nas laterais, par de caixinhas para captação sonora.
Na fase experimental, existia um apêndice na parte detrás do equipamento. Tinha várias funções aplicativas, desde o uso e o transporte da CPU inteira. Por decisão do fabricante, Natureza S. A., acabou redesenhado (em alguns modelos, ainda é percebido no design curvilíneo).
Primatus se adaptou ao mercado como nenhum processador até então. Operacional e versátil, se tornou autoprogramável, o que fez toda a diferença na produção. A linha se expandiu e foram testadas incontáveis séries, cada uma mais avançada que a outra.
O principal software, Expressão do Pensamento, é que teve evolução lenta e gradual.
Os programas linguísticos do Primatus datam, ao que se sabe, desde o padrão Erectus. Depois progrediram com o Neandhertal, até chegar ao mais desenvolvido deles, o Sapiens.
Pelo histórico da fábrica, são 100 mil anos de aperfeiçoamentos. Sucessivas tentativas de up-grade davam ou em projetos limitados ou atendiam apenas a públicos e épocas circunscritas.
Assim foi com os iniciais Palavra e Vocabulário, unificados no Dialetos, acessível para grupos e regiões afins. Dele derivaram infinitos outros, até a configuração com recursos abrangentes, como o primeiro software livre, auto-instalável, Linguas, compatível desde as mortas até gíria atual e local.
Mas o mais revolucionário programa é o Escrita. Foi lançado nos primórdios do PC básico, a partir de rústicos sinais rupestres.
A seguir, com a introdução de impressionantes periféricos (como placas de argila, estiletes, pincéis e papiro), vieram o Cuneiforme e o Hieróglifos, além da versão oriental Ideogramas.
Com o inovador Alfabeto, nas versões Romano e Cirílico, o Escrita se disseminou. Aplicativos como o Manual, o Datilografia e o mais recente, Digital, e suportes específicos como livros, jornais e revistas, ajudam o usuário a registrar o antes irregistrável.
No futuro, a última palavra em linguagem será sempre a penúltima. Mas sem aquele primitivo processador, esta crônica seria em guinchos e grunhidos.
Não sei pra quê o presidente Lula foi ao Muro
das Lamentações. As paredes do Palácio do Planalto
e do Congresso são muito mais lamentáveis.
Para se eleger, os políticos atacam uns aos outros.
Para se reeleger, atacantes e atacados fazem alianças.

Os bons costumes desapareceram definitivamente.
Acostume-se.
Antigamente, havia muita troca de gentilezas.
Agora, só por uns trocados.
Vida – Modo de Abusar
Venha ao mundo o quanto antes.
Entre o egoísmo e o egocentrismo, vá de ponta a ponta, com paradinhas para abastecer no antropocentrismo.
Negue a ancestralidade, ignore a posteridade e não esqueça de ser indiferente
à contemporaneidade.
Coma embriagadamente, beba nauseantemente, vomite voluptuosamente,
urine e defeque abundantemente (não adubandentemente!).
Despreze friamente as convenções porém se dedique fervorosamente às contravenções.
Seja imperativo, competitivo, depreciativo, impeditivo, repetitivo e, de aperitivo, destrutivo ou, pelo menos, não-construtivo.
Aspire a cultura consumista, inspire a monocultura predatória e respire a
incultura reacionária.
Tenha carros potentes, cargos prepotentes, cultos onipotentes, casos impotentes.
Desregule a natureza, coagule rios, degole a fauna, engula a flora, engasgue
o ar.
Permita injustiças, transmita doenças, admita a cobiça, demita a graça, omita
a esperança.
Saia do mundo o mais tarde possível.
O espírito comercial domina tanto a Páscoa
que não é de espantar se um dia lançarem
crucifixos de chocolate.
Com essa crise de valores, não demora muito
vão comprar pessoas com cartão de descrédito.

Considerando os incontáveis imbecis
que têm seus 15 minutos de fama,
já acho isso uma eternidade.

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