| Disse à mulher que ia à esquina comprar cigarros. Num vilarejo sem cruzamento. Disse à mulher que ia à esquina comprar cigarros para ela. Nunca mais voltou. E a mulher nem fumava. Disse à mulher que ia à esquina comprar cigarros. E nem havia tabacaria no lugar. Disse à mulher que ia à esquina comprar cigarros. Foi, comprou, quando voltou encontrou a mulher nos braços do amante. Ela pensou que ele tinha dado a entender que ele năo voltaria mais. Disse à mulher que ia ao cigarro comprar esquinas. Sumiu noutra dimensăo. Disse à mulher que ia à esquina comprar cigarros. Mas năo vendiam cigarros. Continuou casado pelo resto da vida. Disse à mulher que ia à esquina comprar maconha. Nunca mais voltou. A polícia o pegou. Disse à mulher que ia à esquina comprar cigarros. Ela se ofereceu para ir no lugar dele. E nunca mais voltou. Disse à mulher que ia à esquina comprar cigarros. Disse à mulher que ia à esquina comprar cigarros. Disse à mulher que ia à esquina comprar cigarros. Disse à mulher que ia à esquina comprar cigarros. Morreu de câncer pulmonar. Disse à mulher que ia à esquina comprar cigarros pela última vez. Parou de fumar e nunca mais foi à esquina. A mulher entăo disse que ia à esquina comprar cigarros. Disse à mulher que ia à esquina comprar cigarros. Nunca mais voltou. A mulher foi à esquina e também nunca mais voltou. Sem os dois únicos clientes, a tabacaria faliu. Năo disse à mulher que ia comprar cigarros e mesmo assim sumiu. Era afônico, anti-tabagista e misógino. Disse à esquina onde comprava cigarros que ia à mulher. Nunca mais voltou. Etc. | ||
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| Incomode somente o indispensável. Já estamos todos acostumados: entrar em aviơes e ter que desligar celulares e lépitopis. Paranóia ou năo, a segurança a bordo previne: voar, sim; voar pelos ares, năo. Esta, a fase atual da evoluçăo do medo paralelo entre os meios de transporte e os meios de comunicaçăo. A cronologia dos avanços tecnológicos e dos temores humanos, lado a lado, bem poderia incluir etapas assim: Na pré-história: Outras eras da antigüidade: No tempo das pirâmides: No império romano: Na época dos balơes: A partir de 1900: Meados do século XX: Etc. | ||
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| Rango, 35 anos – em vez de comemorar, rememorar. A genial criaçăo do meu amigo Edgar Vasques completa três décadas e meia de nada – nada no estômago, nada do fim das contradições sociais, nada de esperanças. E o Rango, emblemático anti-herói nacional concebido em 1970, merece tudo – tudo em espaços na mídia, tudo em sucesso editorial, tudo de atençăo dos leitores. E entre o nada que possui e o tudo que năo tem, o Rango vai levando. Nas costas, na cabeça, na cara. Pra compensar, leve o livro Rango 35 Anos, L&PM Editores (autógrafos domingo, dia 6, às 18:30h), e leve o seu olhar à exposiçăo do mesmo nome no Memorial RS, ambos na Feira do Livro. Envolvendo a fome brasileira, é o melhor programa do momento, já que o pior de todos os tempos nem precisa ser citado aqui.
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