Natália (hoje vou usar um nome fictício e ocultar alguns detalhes porque a pessoa me pediu) me mandou essa pergunta: “Vida, você deve ter acompanhado a polêmica envolvendo a Luisa Sonza. O engraçado dessa história é que uns dias atrás eu acabei descobrindo uma traição. Ele não sabe que eu sei, ainda. Parece que saíram uma vez e têm se falado desde lá. Não sei o que fazer”. Obrigado por me chamar e conversar sobre isso, minha querida. Eu sei o quão corajosa você precisou ser pra falar sobre isso.
Eu já falei diversas vezes aqui que viver é um ato de encarar o cinza. Não existem verdades absolutas. Somos circunstanciais. Não vou me aprofundar nos detalhes que você me contou, mas vou falar de uma maneira geral sobre traição. Para isso, preciso falar sobre o amor. Amar alguém não é suficiente para se manter uma relação, muito menos para se perdoar uma traição. Primeiro, quero que saiba que independentemente da escolha que fizer, você está certa desde que faça essa escolha conscientemente e que essa seja feita visando o seu bem. Nós não temos o dever de perdoar quem nos machucou, ao mesmo tempo, a traição pode ser pesada de diferentes formas e com diferentes valores. Por isso, meu conselho é: fale com ele. Exponha sua dor, sua raiva e sua mágoa. Mas num ponto em que seja possível manter um diálogo. O foco aqui é entender a situação, como se sente e entender como você escolhe seguir.
Eu já vivenciei através das muitas histórias humanas que acompanhei os dois lados. Por isso, digo: não deixe o moralismo alheio atrapalhar sua decisão. Ao mesmo tempo, não deixe o medo ou a dependência te influenciar a fazer coisas que você não quer. Converse, ouça, analise como você se sente, analise a história que vocês têm, analise o que você descobrir. Peça um tempo e reflita. Sua decisão deve estar pautada no que você quer, no seu instinto mais verdadeiro de preservação. Deve estar focada na sua saúde mental, no seu projeto de vida e, sim, também no amor que vocês sentem. Ainda se amam? Por que ele fez isso? Você acredita que ele não fará de novo? Você vai conseguir conviver com esse fato? Porque, minha querida, existe o querer e conseguir. Talvez você entenda o erro dele, talvez você racionalmente queira seguir em frente, talvez ele tenha se mostrado aberto a mudar. Mas, nunca foi sobre ele e sim sobre você: você conseguiria conviver com isso? Você conseguiria continuar construindo uma vida a dois com ele? Porque se a resposta for não, você precisa abandonar esse amor.
Trair é mesquinho, feio e repugnante porque bota em cheque a lealdade de um relacionamento. Mas, sabemos que tudo é mais complexo do que o certo e o errado e quem se afinca nesse pensamento de preto ou branco realmente não viveu o suficiente para entender que humanos são o que são, mesmo quando não querem ser. Por isso, não tem a ver com uma regra, uma convenção, com seus amigos, familiares… Nada disso interessa. Interessa aqui, minha alma machucada, você. Não tome a decisão com pressa. Após conversar, deixe o assunto decantar e faça perguntas para resolver a doença e não o sintoma. Não existe uma resposta certa que eu possa te dar. Mas o que eu quero te dizer é que você tem liberdade de escolha. Só você conhece sua história, só você sabe o que vale mais pra você.
Mas, o ponto aqui é você: a partir do momento que você sentir que de alguma maneira estará se sacrificando para manter esse relacionamento é porque no fundo você sabe que não deve mantê-lo. Tenha liberdade para escolher e consciência em fazer a melhor escolha pra você. Não pra ele, não pro mundo, não pra quem você conhece. Pra você. E saiba que você é amada, querida e corajosa só por trazer isso pra discussão. Não existem respostas fáceis sobre o assunto traição, mas a solução só vai vir, minha querida, se você fizer todas as perguntas difíceis a si mesma.
Com amor, Vida.


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