A última edição da revista Experiência, produzida pelos alunos de Jornalismo da Faculdade de Comunicação Social da PUC (Famecos), que será lançada nos próximos dias, contém em suas páginas a revelação do paradeiro de uma das duas cópias da carta-testamento de Getúlio Vargas, que se suicidou há exatos 55 anos.
A aluna Luíza Fresina dos Santos Rocha, orientada pelos professores Vitor Necchi, Luciano Lanes e Carolina Fillmann, refez a trajetória do polêmico texto no qual o líder trabalhista registrou seu último manifesto político. A reportagem se inicia em 1978, com a morte de João Caruso Scuderi, ex-presidente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) no Estado, que presidia a Assembleia Legislativa quando Getúlio se matou, em 24 de agosto de 1954. A carta foi descoberta quando a família de Caruso se reuniu para abrir o cofre onde ele guardava documentos. Dentro de um canudo endereçado ao seu neto, o político mantinha preservado o testamento político de Getúlio. A família se surpreendeu com a revelação, mas ninguém tentou desvendar como as duas páginas datilografadas e assinadas foram parar no cofre. O mistério persistiu até agora, quando Luíza, bisneta de João Caruso, resolveu vasculhar o passado.
Alzira, filha e conselheira política de Getúlio, afirmou em entrevistas que seu pai teria deixado dois exemplares do documento. O primeiro foi entregue a João Goulart, ex-ministro do Trabalho, poucas horas antes do suicídio. O segundo estava na mesa de cabeceira do quarto onde o presidente se suicidou, ao lado do corpo, e acabou localizado por Ernani do Amaral Peixoto, marido de Alzira. Ele passou o documento a Oswaldo Aranha, que o leu em voz alta para o grupo que se encontrava no Palácio do Catete.
A explicação mais provável para uma das cópias se encontrar na casa da família do político gaúcho é que Caruso recebeu a carta-testamento das mãos de Jango, conforme explicação de Celina Vargas, neta de Getúlio entrevistada pela universitária Luíza. Jango estava sendo perseguido e ameaçado de morte durante os conflitos decorrentes do suicídio. Celina acredita que, na tentativa de garantir a segurança do documento, “uma relíquia nacional", Jango o entregou a Caruso, que manteve sigilo acerca do assunto.

