Perfil

Nahara Bossle Kunrath: aroma de renascimento

Entre planejamentos, histórias e relações, a coordenadora de Mídia e Endomarketing da Gampi descobre a arte de reacender a própria luz

Publicitária por vocação e criatura solar por natureza, Nahara Bossle Kunrath tem aquele brilho que não pede licença: chega junto, ilumina e expande. Leonina com ascendente em aquário, fogo e ar se debatendo e se completando, ela aprendeu cedo que força também pode ser silêncio, e que independência não é sobre caminhar sozinha, mas sobre saber aonde ir e aceitar que tudo pode desabar. E que tudo bem pedir ajuda! Responsável, ética, organizada e aficionada por aromas, ela é daquelas que faz acontecer.

Por muito tempo, cuidou demais dos outros. Agora, começa a descobrir o que significa cuidar de si. E cuidar de si, ela percebe, não tem nada a ver com autocentração, mas com um certo silêncio interno que finalmente começa a ocupar espaços. Depois de anos sendo porto para muitas pessoas ao seu redor, ela começa a entender o próprio mar.

Há dias em que ainda tropeça na culpa de não estar disponível para tudo; e há noites em que se surpreende, feliz, ao perceber que pode escolher o que quer jantar ou onde deseja ir. E tudo bem se este lugar for a própria cama. A vida, antes feita de obrigações, ganhou novas texturas: escolher o próprio tempo ou experimentar o próprio desejo. Cuidar de si virou quase um estudo minucioso, sutil, contínuo. Uma delicadeza inédita.

Cercada de mulheres 

Nascida em 22 de julho de 1984, em Novo Hamburgo, Nahara cresceu no apartamento da avó materna, Dorila, onde morava com a mãe, Maria Florentina Bossle, e a tia Lúcia. A mãe trabalhava muito; por isso, quem preenchia seus dias eram a avó e a tia que, para ela, eram um pequeno mundo. Quando questionada sobre um gostinho da infância, Nahara lembra do bolinho de arroz da avó, do bolo da tia, mas também traz nas recordações a elegância impecável de dona Dorila e as idas ao banco e ao supermercado, pedaços do mundo dos adultos que lhe ensinaram autonomia precoce.

Foi criança responsável, quase adulta. Pagava contas ao mesmo tempo em que brincava, sozinha, no apartamento da avó. Do pai, pouco convívio, tanto que na adolescência decidiu que podia seguir sem essa parte. Criou-se no feminino: avó, mãe, tia e a irmã Vitória, que chegou quando Nahara tinha sete anos de idade.

Entre lutos e aprendizagens

Bingo, Gupi e Prince: três resgates caninos, três histórias, três companheiros que moldaram seu jeito de amar. A cachorrinha Prince foi a última a partir, depois de 15 anos e três meses de cumplicidade, presença em restaurantes, no carro, na agência Gampi, onde atua desde 2022, e na vida. E quando ela partiu, há exato um ano, Nahara encarou algo que nunca tinha vivido: cuidar só de si.

Nas horas de folga, não existe plano fixo. Só possibilidades. E, de uns tempos pra cá, ela abraçou um ineditismo: fazer nada. E ainda mais inédito é não sentir culpa nenhuma por isso.

Começou a vida profissional cedo, em 2003, na recepção da antiga Braind. Aprendeu a rotina da agência no detalhe e ainda trabalhava lá quando se formou em Publicidade e Propaganda e foi convidada para assumir o departamento de Mídia. Atua em Novo Hamburgo desde a formatura, sempre indo a pé ao trabalho. “A Gampi é o único lugar que preciso ir de carro, mas são só 10 minutos da minha casa”, comenta.

Ela também passou pela RBA, depois SPR, Cake Trends e Protarget. Em cada uma delas, assumiu responsabilidades, liderou departamentos, venceu nervosismos e se firmou naquilo que sempre foi a sua marca: empenho, responsabilidade e ética.

Ao revisitar essa trajetória, Nahara lembra de um episódio marcante. “Fomos apresentar um plano de um milhão de reais. Estávamos ansiosos. Quando terminamos, o cliente se reuniu com o Marketing e voltou com um simples: ‘Aprovado’. Foi incrível.”

Mas nem todo dia é de glória. Os “dias de corre” também ficam gravados. Como naquele em que preparou uma apresentação e, na hora da reunião, o cliente resolveu mudar o briefing inteiro. De uma proposta, passaram a ser necessárias três, cada uma com um plano completamente diferente.

“Eu só tinha levado o note, nem mouse eu tinha naquele dia. Seria ‘apenas’ a apresentação”, conta. De repente, virou malabarismo ao vivo: abrir planilhas, recalcular, reorganizar tudo diante do cliente. “Eu ia ao banheiro respirar e voltava. Estava muito nervosa.” Ainda assim, entregou. E foi ali que decidiu aposentar de vez o mouse.

“Imagina se eu preciso montar outra apresentação dessas na hora? Agora, pelo menos, não estou tão desprevenida”, brinca, com aquele humor de quem já sobreviveu ao caos e aprendeu a rir dele.

Mudança de rota

Em 2016 saiu do mercado. Achou que talvez não fosse voltar mais. Seis anos fora, pandemia no meio, e o medo de que tudo tivesse se tornado digital demais para ela. Mas, nas descobertas sobre si, percebeu que era hora de voltar e, em 2022, a vida desabrochou de novo: reaproximação com as amizades, com o mercado, consigo mesma. A Gampi apareceu como reencontro, não como acaso. “Hoje, minha maior satisfação é a confiança que os clientes, os colegas e o mercado depositam em mim e no meu trabalho”, afirma a publicitária, que não se imagina fazendo outra coisa.

Sim, ela é formiguinha. “Tenho paladar infantil. Tudo que for ‘chocolatudo’, me deixa feliz!”, reconhece. Ama massas e pizzas, a famosa dieta amarela, como ela mesma diz rindo. Frequenta muito a academia, mais do que imaginava, porque descobriu que o exercício alimenta o corpo e a cabeça na mesma medida. E o que importa para ela é a saúde. E os amigos que tem por lá.

É organizada ao extremo, mas hoje já consegue sair de casa, mesmo que nem tudo esteja no lugar. Mas tem uma coisa da qual ela não abre mão: velas perfumadas, aromatizadores e um ambiente cheiroso. “Seja na minha casa ou na agência, eu estou sempre em um ambiente cheiroso”, ressalta.

A Nahara que está nascendo agora

Com 1,71m de altura, não foi difícil sentir que o vôlei era para ela. Daquela quadra, passou para a de handebol, depois para a de basquete. O esporte era um chamado. Mas a competição, não. “Cheguei a jogar em clube, mas não curto disputa, competitividade”, conta. Ela gosta do jogo pelo jogo, não pela guerra de pontos.

E tinha outro detalhe: ela nunca permitiu que ninguém falasse alto com ela, quando o técnico elevava o tom, a reação vinha na hora: “Não, espera, só um pouquinho”. Para Nahara, o esporte sempre foi sinônimo de jogar e se divertir, não de disputa e competição.

Seguiu jogando por prazer, com amigos, até o joelho avisar que era hora de ir com mais calma. Mas a lógica permanece intacta: competir com os outros nunca foi o que moveu Nahara. O que a move é estar ali, presente, viva, inteira. É marcar pontos que não aparecem no placar: convivência, parceria, lealdade, afeto. O verdadeiro “time” dela é feito de amigos, colegas, família.

Ela afirma ter dificuldade para encontrar o equilíbrio: “Tudo é oito ou 80”. Mas de perto, parece que ela encontra outras 72 possibilidades. No home office, o modo foco entra em campo: calls, planejamento, entregas silenciosas. No presencial, outro jogo começa, e aí é ponto para o chimarrão, a conversa que expande, o olho no olho. Zero call. Zero pressa. Apenas presença, energia e movimento. Além de aromas, claro!

Sobre ser a própria prioridade

Ser desejante é uma nova descoberta e quando pensa no futuro, Nahara deseja estabilidade emocional, profissional e financeira. Experimentar mais. E, acima de tudo, viver mais, porque ela sabe que viveu pouco para quem sente (e deseja) tanto.

Entre tantas versões de si mesma, a que se destaca é a da mulher que vive intensamente, que se cobra demais, que está aprendendo a errar sem se punir, a pedir ajuda sem sentir fraqueza, a escolher a si mesma antes de qualquer outra coisa. Exercício diário.

E, nessa jornada deliciosa e inédita, Nahara finalmente está vivendo a vida que sempre mereceu, por dentro e por fora. Agora, a cada passo que ela dá, dentro ou fora de qualquer quadra, exala um novo perfume: o da liberdade de ser a própria prioridade, de marcar seus ritmos, seus pontos e seus próprios (re)começos. Sozinha e ao lado das suas referências, amigos, colegas, clientes.

Autor

Márcia Dihl

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