A vida nos ensina que quando algo se repete por muito tempo, acabamos nos acostumando. Se é algo bom, perde um pouco da graça. Se é ruim, então, só temos a lamentar. E claro, não sermos resilientes a ponto de aceitar sem sequer tentar mudar alguma coisa.
Mas o pior é quando fazemos algo que é tão habitual e corriqueiro a ponto de parecer que estamos agindo de forma automática, sem prestar a atenção na ação. Nesses casos, costumo até esquecer se fiz ou não.
Por exemplo: os medicamentos que tenho que ingerir diariamente. Não raras vezes me paira uma dúvida: será que já tomei? Será que não foi ontem e estou pensando que foi hoje? É uma dúvida cruel, pois tanto deixar de tomar quanto tomar uma dose excessiva pode prejudicar.
Também ocorre de sair à rua, cumprimentar pessoas, tudo de forma rotineira e automática, a ponto de, horas depois, não lembrar de ter cruzado com elas. Aí surge o risco de, em um novo encontro, cumprimentá-las novamente, como se já não tivesse ocorrido.
São coisas que, pelo menos para mim, tornam o dia menos interessante. Tipo: sempre a mesma coisa. Por essas e por outras que não gosto de rotinas. E esse é um dos motivos pelos quais eu gosto tanto do jornalismo.

