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Ah, a rotina

A vida nos ensina que quando algo se repete por muito tempo, acabamos nos acostumando. Se é algo bom, perde um pouco da graça. Se é ruim, então, só temos a lamentar. E claro, não sermos resilientes a ponto de aceitar sem sequer tentar mudar alguma coisa.

Mas o pior é quando fazemos algo que é tão habitual e corriqueiro a ponto de parecer que estamos agindo de forma automática, sem prestar a atenção na ação. Nesses casos, costumo até esquecer se fiz ou não.

Por exemplo: os medicamentos que tenho que ingerir diariamente. Não raras vezes me paira uma dúvida: será que já tomei? Será que não foi ontem e estou pensando que foi hoje? É uma dúvida cruel, pois tanto deixar de tomar quanto tomar uma dose excessiva pode prejudicar.

Também ocorre de sair à rua, cumprimentar pessoas, tudo de forma rotineira e automática, a ponto de, horas depois, não lembrar de ter cruzado com elas. Aí surge o risco de, em um novo encontro, cumprimentá-las novamente, como se já não tivesse ocorrido.

São coisas que, pelo menos para mim, tornam o dia menos interessante. Tipo: sempre a mesma coisa. Por essas e por outras que não gosto de rotinas. E esse é um dos motivos pelos quais eu gosto tanto do jornalismo. 

Autor

Renato Dornelles

Jornalista, escritor, roteirista, produtor, sócio-diretor da editora/produtora Falange Produções, é formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) (1986), com especialização em Cinema e Linguagem Audiovisual pela Universidade Estácio de Sá (2021). No Jornalismo, durante 33 anos atuou como repórter, editor e colunista, tendo recebido cerca de 40 prêmios. No Audiovisual, nos últimos 10 anos atuou em funções de codireção, roteiro e produção. Codirigiu e roteirizou os premiados documentários em longa-metragem ‘Central – O Poder das Facções no Maior Presídio do Brasil’ e ‘Olha Pra Elas’, e as séries de TV documentais ‘Retratos do Cárcere’ e ‘Violadas e Segregadas’. Na Literatura, é autor dos livros ‘Falange Gaúcha’, ‘A Cor da Esperança’ e, em parceria com Tatiana Sager, ‘Paz nas Prisões, Guerra nas Ruas’. E-mail para contato: [email protected]
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