Deve ser natural. Quem ganha a vida escrevendo, embora nem sempre se ganhe, nos dois sentidos, ocasionalmente se pergunte até que ponto tem algo relevante a dizer ou apenas preenche espaços em jornais, revistas ou sites. Algum espertinho aí do outro lado do monitor deve estar dizendo: Ahá, até que enfim ele se deu conta! Bem, na verdade o questionamento tem de ser permanente, em todas as atividades. Qualquer profissional já deve ter-se feito esta pergunta. Se não fez, deveria ter feito.
Antes de se converter em uma confissão – embora possa sê-lo, se o quiserem – ou um nariz-de-cera, o parágrafo acima introduz uma proposta: diante da enxurrada de baixarias e notícias inúteis, que tal se utilizar uma boa foto e poupar o leitor de certos textos? O raciocínio vale no vice-versa, é claro, mas não com a mesma ênfase, afinal, uma foto ruim só prejudica a visão, ao contrário do texto, que pode atingir certas zonas vitais do cérebro.
A surradíssima frase “uma imagem vale por mil palavras” pode ser uma tremenda bobagem ou um precioso conceito, depende da aplicação. O critério seria simples, ainda mais em sites, com sua invulgar agilidade: bastaria ter à mão um estoque de grandes fotos e usar uma delas sempre que a redação discutir a validade de publicar determinada informação. Seria também uma forma de a web (não sei por que usei, não gosto desta expressão) se redimir com os fotógrafos.
Muitos sites costumam exibir fotos minúsculas, sem tratamento adequado, tanto técnico quanto jornalístico. Também omitem o crédito, ou por desprezo ao trabalho do profissional ou para não pagar os direitos. Aliás, pessoal da Coletiva, que tal abrir um espaço para os fotógrafos gaúchos mostrarem seu portfólio, nem sempre bem aproveitado pela mídia ou pelas agências? Para dar o exemplo, começo ilustrando esta crônica com um belíssimo retrato de uma criança yanomâmi produzido para a National Geographic pelo Rodrigo Baleia, o único magro do mundo a exibir tal nome “artístico” por causa da notória especialização em natureza.
Dedicado a Rubens Borges, o Goiano (inmemoriam)
