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O aumento do custo de vida leva ao endividamento

O Brasil encerrou 2025 com um cenário político e econômico que não pode ser ignorado. Se antes falávamos em sensação de empobrecimento, agora os números confirmam que essa percepção é real e mensurável. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), 79,5% das famílias brasileiras estavam endividadas em outubro de 2025. Mais grave ainda: 30,5% tinham contas em atraso e 16,5% se declararam muito endividadas, sem perspectiva de reorganizar o orçamento.

Analisando março de 2026 o endividamento das famílias brasileiras atingiu 80,4%, o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da CNC. Além disso, 29,6% das famílias têm contas em atraso, reforçando que o custo de vida segue pressionando o orçamento doméstico.

E este tema está dentro das casas, nas ruas e nas redes sociais. Não importa o tipo de pesquisa que o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião faça, a situação da economia está na narrativa dos diferentes tipos de entrevistados e atinge todos os níveis sócios econômicos. Há um consenso de que está se perdendo o poder de compra!

O aumento do custo de vida não apenas aperta o cinto dos brasileiros, mas os empurra para uma espiral de dívidas. A inflação, que já vinha corroendo o poder de compra, agora se traduz em inadimplência e endividamento recorde. O que antes era uma reorganização da lista de compras, trocar marcas, reduzir itens, cortar supérfluos, tornou-se insuficiente. Mesmo com ajustes, as famílias não conseguem fechar as contas no fim do mês.

Esse quadro tem implicações diretas na política. O eleitor brasileiro, historicamente sensível às questões econômicas, entrou em 2026 com a economia como tema central da sua decisão de voto. A insatisfação não se limita a índices abstratos. ela se manifesta na vida cotidiana, na dificuldade de pagar o cartão de crédito, na renegociação de dívidas e na angústia de ver o salário desaparecer antes do fim do mês.

O governo, por sua vez, enfrenta o desafio de responder a essa realidade. A queda na popularidade do presidente Lula, já apontada por diferentes pesquisas, encontra explicação nesse ambiente de empobrecimento. Não se trata apenas de polarização ideológica ou de disputas partidárias, trata-se de sobrevivência econômica. O eleitor que se vê endividado não está preocupado com narrativas políticas sofisticadas, mas com a possibilidade de manter sua família em condições dignas.

A eleição de 2026, portanto, será marcada por esse pano de fundo. A economia ocupará o centro do debate e os candidatos terão de apresentar propostas concretas para enfrentar o endividamento e recuperar o poder de compra da população. 

Se em 2025 a palavra de ordem era “aperto do cinto”, em 2026 será “endividamento”. O eleitor não votará apenas com base em simpatias partidárias, mas com base em sua experiência concreta de vida. E essa experiência, hoje, é marcada pela dificuldade de pagar contas, pela inadimplência crescente e pela sensação de que o futuro econômico é incerto. Ah, não podemos esquecer que no meio deste cenário de instabilidade econômica das famílias, a eleição terá grandes momentos de discussão em torno dos recentes escândalos de corrupção: Banco Master e INSS, ampliando a indignação da população.

Autor

Elis Radmann

Elis Radmann é cientista social e política. Fundou o IPO – Instituto Pesquisas de Opinião em 1996 e tem a ciência como vocação e formação. Socióloga (MTB 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e tem especialização em Ciência Política pela mesma instituição. Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Elis é conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) e Conselheira de Desburocratização e Empreendedorismo no Governo do Rio Grande do Sul. Coordenou a execução da pesquisa EPICOVID-19 no Estado. Tem coluna publicada semanalmente em vários portais de notícias e jornais do RS. E-mail para contato: [email protected]
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