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O vento não levou

Em busca de assunto para alimentar suas crônicas, um aprendiz de escritor vasculha suas anotações e rascunhos que julgava perdidos. No fundo de uma gaveta entulhada de papéis e recortes de jornal encontra um velho caderno de folhas pautadas. Mesmo sabendo que não se deve mexer com coisas passadas que lembram o que fomos um dia, ele tenta encontrar vestígios de sua inocência perdida.

***

O velho caderno está coberto por rabiscos e anotações sobre livros de escritores que foram famosos, mas hoje, quase esquecidos. Alguns nos deixaram pensamentos e reflexões sobre a misteriosa arte de viver. 

Mas também encontra frases e falas dos super-heróis e arqui-vilões das historietas em quadrinhos, que a garotada dos bons tempos decorava e repetia a toda hora. Eram bordões e interjeições, nosso jeito pueril e innocente de se identificar com os heróis ou com os vilões que assustam os fracotes do bairro. Alguns clássicos:

Do Sombra:

“- Quem sabe o mal que se esconde nos corações humanos?”.

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Do Batman, o Homem-Morcego:

Eu sou a noite, eu sou a vingança”.

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E o sinistro Coringa às suas vítimas:

“- Já dançou com o diabo à luz da lua?”.

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 Da Mulher Gato:

“- Tenho sete vidas e sou malvada  em todas elas”.

***

A fala do Super Homem era quase uma inspiração:

“- “Para cima, para o alto e para longe”.

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O Caveira Vermelha, o arqui-inimigo do Capitão Marvel, ameaçava:

“- Acabe com um de nós e dois tomarão seu lugar!”.

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Do Flash Gordon para a bela Dale:

 “- O que acontece na Terra permanece na Terra”.

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E talvez a clássica e mais lembrada – do Robin, o Menino-Prodígio:

“- Macacos me mordam, Batman!”

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Autor

José Antônio M. de Oliveira

O colunista é um veterano jornalista e publicitário. Assina uma coluna no Coletiva desde 2005. Foi repórter e redator nos jornais A Hora, Jornal do Comércio, Folha da Tarde e Correio do Povo. Como publicitário, atuou na MPM Propaganda nas sedes de Porto Alegre, do Rio de Janeiro, de São Paulo e também em Nova York, durante o convênio MPM / N.W.Ayer Advertising. Criou e redigiu comerciais e anúncios para Ipiranga, Renner, Banco do Brasil, Embratur, I Love New York, Pan American World Airways e American Airlines. Diretor de Comunicação do Grupo Iochpe, foi co-fundador do CENP, a entidade de normas éticas para anunciantes e agências de publicidade. Em 2021 publicou o livro de memórias ‘Entre Dois Verões’ – já esgotado – contendo 30 crônicas sobre sua infância nos campos do Sul e na Porto Alegre dos anos 50. Agora, volta à cidade em seu segundo livro, ‘Um Rio Portas Adentro’, onde registra e relembra as grandes cheias que assolaram a cidade em 1941 e 2024 e presta tributo a algumas das personagens mais singulares e sedutoras que agitaram Porto Alegre em seus anos dourados. E-mail para contato: [email protected]
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2 Comments

Claudio Menna

Bom lembrar que as narrativas iniciais do velho testamento, nada mais que a Torá hebraica foram escritas ou descritas em “quadrinhos” similares aos “comics” do século XX, os chamados Hagadás. O livro “O Hagahdá de Sarayevo descreve essa tão ancestral prática de narrativas em quadros da Torá.
E até a idade média haviam igrejas com as gênesis de quadrinhos narrativos, já em idioma
grego bizantino ou latino, pratica revisitada para via crucis dos apostólicos romanos.

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Claudio Menna

Em tempo. Sou fä inveterado de Will Eisner e de Frank Mïller além de Marge de Little Lulu,& que deu origem as latinas Mafalda e Mônica

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