Guiada pela vontade de fazer tudo funcionar, Andressa Dorneles é uma combinação de intensidade e propósito. Sócia-diretora de Comunicação Corporativa da Critério – Resultado em Opinião Pública, ela carrega a missão de liderar um dos pilares mais robustos da empresa, o que faz com a disposição de quem sabe que chegou até aqui porque acreditaram nela, mas principalmente porque ela acreditou no próprio caminho.
Para ela, o ápice é agora. Quando a Critério abriu a possibilidade de partnership em 2024, estendendo o convite a jornalista, ela não recebeu apenas um cargo ou um título – teve a confirmação de um caminho construído com entrega e coerência. É nesses momentos que ela se recorda da Andressa adolescente, que começou a trabalhar fazendo cópias. “Toda a minha trajetória foi calcada em crescer, mas nunca imaginei me tornar sócia de uma empresa. Não por não ter ambição, mas porque onde eu estivesse, estaria feliz e fazendo o meu melhor”, afirma.
E é aqui que entra boa parte dos seus valores: “Sempre atuei com verdade, nunca passando por cima de ninguém. Eu sou essa pessoa que baixa a cabeça e trabalha. Acho que as oportunidades foram vindo como resultado da minha dedicação”, pontua. Outro fio que costura essa narrativa é a gratidão. Andressa lembra daqueles que lhe ensinaram, tiveram paciência, estenderam a mão e abriram portas. Mas se existe um símbolo absoluto dessa dedicação, é a mãe, Sônia, que, aos 58 anos, segue ativa e inquieta. Ela é a referência que sustenta tudo. É por ela que sonha com estabilidade, conforto e descanso. “Estamos contando os dias para ela se aposentar. Quero ter condições para poder retribuir minimamente tudo que ela fez por mim”, declara.
Alma livre
Andressa nasceu em Porto Alegre, em 15 de agosto de 1988, mas sua história começa a se desenrolar mesmo em Gravataí. Cresceu cercada por muita gente – a mãe tem nove irmãos, o que rendeu um universo de tios e primos. Embora a presença paterna seja inconstante, o espaço materno foi e ainda é absoluto. A mãe, trabalhadora de serviços gerais, é a figura a quem a jornalista atribui a pessoa que se tornou. “Desde muito pequena, lembro de ver a minha mãe sempre trabalhando muito”, recorda. Foi por isso que, aos 14 anos, decidiu que precisava ajudar em casa.
Era 2002 quando conseguiu um emprego na Copy Center, no centro de Gravataí, mas logo foi realocada para uma filial aberta em frente ao fórum da cidade. Era uma “lojinha”: um espaço de dois por dois, embaixo de uma escada que acomodava ela e uma máquina de xerox – que nem era das mais modernas. “Ainda bem que eu sou pequena, né?”, brinca. Eventualmente, a filial mudou-se para uma sala maior, porém não seguiu ali por muito mais tempo, e Andressa voltou para a loja do Centro.
O estabelecimento ficava apenas a alguns metros de onde abraçaria um novo desafio, que seria crucial para sua jornada. Era uma livraria com um setor de cópias mais estruturado. E foi justamente lá que uma sementinha começou a germinar em seu interior: “Chegavam as monografias para encadernar e eu achava muito legal. Isso foi me estimulando sobre o que eu queria ser”.
Até porque, desde cedo, Andressa parecia guardar dentro de si uma bússola particular, apontada sempre para o mundo. Certo dia, no auge dos dois anos de idade, decidiu pegar sua maletinha rosa da Barbie e anunciou: “Vou embora!”. Passou pelo portão convencida da própria independência. Acompanhada pelo olhar da mãe, andou até a esquina, virou? e voltou. Esse mesmo ímpeto foi se manifestando em outros momentos, o que deu à Sônia a certeza de que a filha não levaria muito tempo a voar para fora do ninho.
Sem preguiça de correr atrás
Aos 18 anos, Andressa teve que escolher: Direito ou Jornalismo? “Fiquei um pouco nesse limbo. Mas sempre gostei de Comunicação e muitos amigos estavam indo nessa direção”, conta. Realizou o sonho de estudar na Unisinos, o que tornou os horários apertados, pois o único campus era em São Leopoldo. “Eram muitas horas de viagem, mas era o momento onde eu descansava”, registra. Sem a possibilidade de fazer mais de duas cadeiras por semestre, a graduação, que foi iniciada em 2008, foi concluída somente em 2016.
A primeira experiência de estágio veio em 2009, no portal Inema, de Esportes e Aventura, mantido pela empresa de tecnologia Sisnema. Era menos um produto corporativo e mais o sonho de um dos donos. Foi naquela fase que ela e o namorado decidiram que era hora de morar em Porto Alegre, o que facilitou a logística. E ainda hoje é a única da família a ter fincado raízes na Capital. “Achamos um apartamento bem pertinho de onde eu trabalhava”, relata.
Ao longo da faculdade, Andressa também criou o hábito de se cadastrar em todos os bancos de talentos que encontrava. E foi justamente assim que, em 2011, foi parar na produção do programa de Clóvis Duarte, na TV Pampa, e, na sequência, na Band RS. Ainda no mesmo ano, outra oportunidade surgiu. Um estágio no gabinete do deputado Lucas Redecker na ALRS, onde, por quatro meses, aprendeu um outro tipo de Comunicação: a política. Até que o telefone tocou novamente.
Crescimento como foco
Era do Grupo RBS, com um retorno sobre uma candidatura feita para uma vaga na Atlântida. “Me sentia feliz onde estava, mas sempre pensando em crescer”, destaca. Ao chegar na seleção, ver mais de 40 pessoas na sala da primeira etapa abalou a confiança. No entanto, deu seu melhor e chegou ao final concorrendo contra outros dois candidatos. Os três receberam a missão de ir para casa e gravar um áudio com uma notícia, o que Andressa fez e refez diversas vezes, movida mais pelo desespero do que por qualquer outra coisa.
Por si só, a aprovação no processo trouxe muita euforia, mas a jornalista ficou mais incrédula ao descobrir que o trabalho não seria na Atlântida, mas, sim, na Gaúcha. Ficou escalada para o horário da manhã, trabalhando junto de André Machado, Antônio Carlos Macedo, Carolina Bahia, Daniel Scola, Lauro Quadros, Rosane de Oliveira e tantos outros nomes do dream team da emissora, como ela mesma define. Ficou lá de 2012 a 2014, o máximo permitido por ser estagiária. Embora a equipe quisesse mantê-la, a empresa não poderia oficializar a contratação.
Em compensação, ofereceram seis meses como freelancer. Foi puxado: entrava às 4h, saía ao meio-dia e estudava de noite. Apesar disso, estava feliz. O freela chegou ao fim junto com um convite para integrar a Gaúcha Serra, mas, infelizmente, não poderia encarar a mudança. Uma nova oportunidade apareceu na sequência para trabalhar com Marketing, porém logo soube que o encantamento não viria. “Sou ligada no 220 e ainda fui picada pelo bichinho do rádio, que é aquela loucura. Qualquer coisa que não fosse assim, eu não gostaria”, justifica.
Até que uma notificação mudou tudo. Scola a chamou, perguntando se estava trabalhando e Andressa foi sincera: estava, mas não se sentia feliz. Uma amiga dele, Soraia Hanna, buscava alguém para trabalhar no Atendimento da Critério, que estava no quarto ano de operação. “Brinco que o Scola é meu padrinho”, diz. A jornalista define este como um dos momentos mais emblemáticos da carreira. Embora já tivesse sido elogiada pelo colega de profissão em outros momentos, não esperava nada além do dever cumprido. Contudo, recebeu um projeto de vida.
Colhendo os frutos
De um lado: Andressa, sem experiência em assessoria, mas cheia de vontade de aprender. Do outro: uma empresa pequena, porém ambiciosa, buscando gente com coragem para crescer junto. A equação fechou rápido. No mês seguinte à sua contratação, chegou o cliente que viraria o jogo: o Hospital Moinhos de Vento. “Hoje, temos uma equipe de seis pessoas que atendem somente o hospital, mas, com orientação e apoio da Soraia, era eu que fazia as reuniões, atendia, produzia conteúdo e divulgava”, afirma. A conta foi uma vitrine para a Critério, que começou a crescer ainda mais.
Em 2023, a empresa deu o próximo passo e criou uma camada de liderança. Assim nasceu a área de Operações, que requisitava alguém que garantisse um funcionamento pleno e 360º da Critério. E esse alguém era Andressa. “Tinha que fazer tudo rodar”, explica. Um novo reconhecimento pelo trabalho da jornalista veio junto com a cadeira de diretora de Comunicação Corporativa. “Estava trabalhando para crescer, mas nunca pedi por nada. O que tiver que ser vai ser pelo resultado do meu trabalho”, argumenta.
No ano passado, a Critério abriu a possibilidade de partnership. Ao longo de 2024, Andressa se dedicou a esse objetivo e a alegria de ser convidada para fazer parte da sociedade foi imensa: “Quase morri chorando”. Para ela, que divide a mesa com nomes como Cezar Freitas, Cleber Benvegnú, Giuliano Thaddeu, Rafael Codonho, Soraia Hanna e Tomás Adam, esse é “o topo do topo”. “O que mais eu faria dessa vida?”, indaga. Ela define a empresa como seu plano de vida. “A minha motivação é esta: o que eu posso fazer pra Critério crescer mais?”, questiona.
Já deu certo
Andressa é daquelas pessoas que quer “abraçar o mundo”. Embora confie nas pessoas, admite que, muitas vezes, opera além do necessário. “Acho que vem muito do que eu vivi. Eu e minha mãe não tínhamos a quem recorrer”, esclarece. Mesmo assim, o bom humor resiste até nos dias difíceis. Procura manter um sorriso aberto, quase como um antídoto contra a dureza da vida. Ela também encontra conforto no ar fresco e no movimento. Não se considera atleta, mas gosta de pedalar, correr e treinar. E aproveita pra fazer atividades externas sempre que possível. “Para o corpo faz bem, mas mentalmente é onde eu me recupero”, compara.
Quando tenta se definir, Andressa chega rápido ao ponto: intensidade. É o traço que atravessa tudo o que faz – o trabalho, os vínculos e as escolhas. Ela se joga por inteiro, entrega 200%, como diz, sem medir a dose, impulsionada por um desejo genuíno de fazer com que tudo dê certo. Não busca méritos individuais; quer ver o coletivo funcionando, crescendo e prosperando. “Me dedico muito nesse sentido. O meu perfil é de intensidade, seja para coisas boas ou até para as consequências que isso gere”, pondera.
Ao imaginar o que o futuro reserva, a Critério está lá. Ela visualiza uma empresa escalada, sustentada por novas lideranças, operando com fluidez. E, nesse futuro imaginado, talvez já nem conheça o nome de todo mundo. Não por distanciamento, mas porque isso significaria que a operação cresceu e, mais uma vez, que tudo deu certo.

